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Olha a beleza do conteúdo disto que vem a seguir!

Written By Sérgio Pereira on sábado, 30 de outubro de 2010 | 30.10.10

Chega ao fim o mês de Outubro e é altura de atrasar o seu relógio uma hora. Já está? Pronto, então prepare-se para chegar adiantado a todos os compromissos que tiver este Sábado, pois a hora só muda Domingo. Mas não é isto que nos faz escrever este post. Escrevemos sim porque na secção Medalhas encontram-se já disponíveis para visionamento os laureados deste mês 10. Porém não ficam por aqui as novidades com mais barbas que a sua avó. Os co-autores deste blog têm novas crónicas. Vai um cheirinho?

Diário de um homem com peste negra (Tiago Lacerda)

Ano de Dominé 1337, 1 de Março
Voltei da visita ao Dr. Fonseca, o meu médico, de rastos. Não que esteja demasiado preocupado com esta história da peste negra, que me parece mais uma hiperbolização mediática dos contadores de histórias, mas uma das minhas pernas caiu enquanto vinha para casa e não tinha boleia.

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Sigamos a abelha-rainha
(Sérgio Pereira)


Dou por mim muitas vezes a pensar como é que alguém consegue resolver o cubo de Rubik em meia dúzia de segundos, mais ou menos o tempo que eu demoro a assimilar as cores que o cubo tem. Depressa desisto desse pensamento pois não tenho a certeza se irei gostar da resposta. Mas imediatamente outro assunto vem à tona do meu cérebro: como é que Portugal chegou a este beco sem saída política, económica e socialmente?

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E pronto, era só para escrever isto. Esperamos que apreciem. E lembrem-se: o Jornal da Noite hoje começa às 19. Não porque há jogo de futebol, mas porque você é demasiado preguiçoso para acertar o relógio só por um dia.

Um abraço sentido,
Tiago e Sérgio
30.10.10 | 0 comentários

Estas novas tecnologias avançam tão rápido que nem pelo bI-Pod passámos

O drama, a tragédia e o horror instalaram-se nas ruas um pouco por todo o mundo. Milhares de milhões de pessoas correm desalmadamente sem norte tentando fugir a um pesadelo bem real. Mas parece que nada nem ninguém as irá poupar à imagem de Sousa Veloso todo nu com um gorro de orelhas na cabeça e uma pulseira de equilíbrio no tornozelo esquerdo. O engenheiro saiu de casa desta forma, cantarolando “Como um Macaco Gosta de Banana” de José Cid, acompanhada de passos de ballet e cha-cha-cha. Entrevistado por este conspícuo jornalista do Jazigo, Sousa Veloso declarou que “a minha saúde mental já não é o que era, além de ter urgentemente de adquirir nova indumentária. Os meus fatos cinzentos anos 50 foram todos comidos pelas traças, de modo que isto é tudo o que me resta. Por estar a olhar para eles com ar enojado, sabia que os tomates são frutos? Podiam perfeitamente fazer um bom sumo da Compal!”.
Como um mal nunca vem só, as pessoas pararam de correr para olhar o que se soerguia no cimo dos montes mais próximos. Seria um pássaro? Seria um avião? Seria Artur Albarran usando somente uns suspensórios do Noddy? Não! Eram tripods! Máquinas gigantescas com três pés, comandadas por alienígenas, tentando exterminar a raça humana. Todos os seres vivos começaram de novo a correr sem sentido, excepto o Eng. Sousa Veloso que, de costas para mim, se curvava todo para apanhar uns espinafres. De um lado, extraterrestres a querer acabar com a nossa existência; do outro, a visão arrepiante do fim do mundo. Muito negra mesmo. E com pólipos.
Como pessoa, os meus instintos diziam-me para fugir a sete pés. Como repórter robô, o objectivo era o de entrevistar os condutores daqueles tripods. Por isso mesmo defequei involuntariamente nas calças e segui em direcção daqueles seres automatizados gigantescos. No caminho que estava entre nós pensei se os tripods tinham alguma árvore ambientadora pendurada no espelho retrovisor, pois aquele cheiro que vinha detrás das minhas costas começava a incomodar o olfacto. O efeito nefasto deste odor ficou provado quando me aproximei dos seres de outros planetas, que imediatamente caíram para o lado. Felizmente lá houve um que resistiu e me concedeu umas palavras: “Até agora a missão tem estado recheada de sucesso. Portanto, temos exterminado bastante, tortura e violações têm sido q.b., agora é esperar que tudo continue a correr pelo melhor.”. E objectivos para o futuro? “Olhe, neste momento temos uma equipa com os nossos melhores profissionais a varrer o Paquistão para encontrar o Bin Laden, o sacana esconde-se muito bem! Mas estamos a tentar atraí-lo para fora da gruta utilizando comida kehbab. Contamos no fim do dia ter a questão resolvida. Além disso vamos continuar em direcção a Oeste, temos umas contas pendentes com o Tom Cruise e a Dakota Fannigan, no nosso planeta achámos lamentável a figura que essas duas abantesmas fizeram no filme A Guerra dos Mundos. E, além disso, nós fomos retratados como os maus da fita, o que é uma coisa inacreditável! Quer dizer, vem uma pessoa para o Planeta Terra fazer a sua vida para sustentar a famelga e depois somos confrontados com estas infâmias! Isto é o nosso ganha-pão, haja respeito e compreensão!”. Então e vão começar já a dar cabo desta cidade ou tenho tempo de ir a casa tomar banho e mudar de calças? “Pois como os meus colegas ainda estão caídos anestesiados com o seu aroma, pode ir à sua vidinha, pode. Mas não se demore muito que isto mais minuto menos minuto começamos com a chacina, não podemos delongar que ainda temos muito trabalhinho pela frente.”.
Correndo mais depressa que o Usain Bolt, não com medo de ser trucidado pelos aliens mas porque já tinha o rabo a assar, cheguei ao meu lar num ai. Após um breve duche de 40 minutos, encontrei o Eng. Sousa Veloso a fazer malabarismo com ananazes, enquanto Artur Albarran lambia gelado stracciatella do seu próprio corpo desnudado. Os agora meus amigos de outros mundos passaram ao lado de minha casa e disseram-me adeus sorrindo. Alguns levavam molas no nariz, pois depois do banho vesti as mesmas calças de antes. Ele há dias em que nem vale a pena sair de casa!
30.10.10 | 0 comentários

Martim amigo, as pessoas que pecam estão contigo!

Os gritos de blasfémia inundavam as ruas qual arquipélago português mal desenhado. A revolta era grande e efusiva, tão grande como a revolta existente numa manifestação da CGTP e tão efusiva como uma parada gay. Por entre a multidão que se formava há volta da igreja, serpenteavam os acólitos do demo, os cléricos da desgraça, os alunos de Martim Lutero. Todos eles vestidos de preto, não por ser o traje da seita, mas apenas por estar na moda. A multidão analfabeta olhava para a cópia das 95 teses de Lutero e imaginava o que dizia. “Ele quer deitar abaixo a Santa Sé para poder fornicar no altar!” gritava um mais espedito. “Não, não, ele quer utilizar as igrejas para invocar o Diabo” afirmava a alto e bom som um homem dono de um conhecimento enciclopédico. “Falsidades, ele apenas aponta as contradições e falhas da igreja que estão a corroê-la por dentro e a matar o espírito de Cristo”, exclamava um maluquinho. Ninguém o ouviu. É o que dá fazer declarações mais ou menos lógicas.
Por todo o lado reacções como estas repetem-se. Desde que Martinho Lutero se insurgiu contra as políticas da igreja, colocando as suas já famosas 95 teses na porta da capela de Wittemberg, tem sido o caos. Fontes próximas de Lutero afirmam que o alemão não pertendia dar início a esta revolução religiosa. E que apenas queria não ter de pagar por cada pecado que cometia “é que sabe”- conta-nos um homem com grandes barbas ruivas e chapéu amaricado -“ele é gajo para pecar muito. Ao ritmo que ele peca não há dinheiro que resista”. Estas declarações foram. no entanto. desmentidas ao Jazigo pelo próprio Lutero em pessoa. “Quem é que lhe disse isso?” – é a primeira pergunta que um Lutero em boxers e com voz roufenha nos faz. “Isso é tão falso como as mamas da Luciana Abreu, Deus as tenha debaixo de olho. A minha intenção era alertar os espíritos das pessoas, não fugir ao pagamento por pecar demasiado! Até porque eu sou um homem que peca pouco.” Dito isto Lutero retirou-se para dentro de casa, onde este jornalista conseguiu vislumbrá-lo a iniciar actos homosexuais com dois rapazes usando como protecção uma coisa a que chamava de “pre-ser-va-tivex”. Com os clamores de “Satan!! Satan!!” de Lutero nos ouvidos abandonei o local.
Dirigia-me ao local onde tudo começou. Dirigia-me a capela de Wittemberg. Mas acabei por perceber que era estúpido. Quer dizer, o padre da capela de Wittemberg deve ter mais ou menos a mesma opinião que o que dá a missa na capela ao pé de minha casa. Para quê por quilómetros em cima do novo burro? Está a vida boa, não!
Ao entrar na igreja, os gemidos de dor devido ao manifesto de Lutero encheram-me o coração de angústia. Mas depois apercebi-me que era apenas o Padre Afonso a aplicar as suas (também já famosas) 95 estocadas. Depois de o Paulinho nos ter deixado, a conversa com o Padre Afonso correu solta. “Que acha desta coisa toda do Lutero e não sei quê?” perguntei eu astutamente, recorrendo aos meus muitos anos de experiência e ao mestrado em jornalismo que tirei por pombo correio. “Uma blasfémia!”. E foram basicamente estas as declarações do Padre Afonso. Ele falou mais, como vos disse a conversa correu solta, mas posso facilmente resumir o conteúdo de 12 horas de conversa sobre Lutero nestas duas palavras. Pena que o Padre Afonso não tenha conseguido.
30.10.10 | 0 comentários

Penso, logo existo e recuso

Written By Sérgio Pereira on sábado, 23 de outubro de 2010 | 23.10.10

“Olha para mim, sou tão bom escritor que até nem vou aceitar este prémio Nobel da Literatura!”. Foi isto que Jean-Paule Sartre pensou quando de manhã lhe foi comunicado que tinha ganho o galardão mais importante da escrita mundial. Isto e também que, como era francês, não comia french toasts, apenas toasts.
“Antes morrer que aceitar essa hipocrisia!” disse Sartre ainda a frio, pois tinha acabado de sair do frigorífico para refrescar as ideias. “Então mas o senhor não é existencialista?”, perguntei eu, intuitivamente, mostrando todo o meu conhecimento sobre o escritor francófono. “Pois sou, peço desculpa, é de estar ainda a frio. Oh Simone, traz-me uma toalha faz favor!”. Podia dizer que, como Sartre tinha saído de um ambiente gélido, o seu pénis se tinha reduzido a um tamanho ridiculamente diminuto, mas não o vou fazer por questões de elevação.
Simone de Beauvoir, companheira íntima há largos anos de Sartre, não quis comentar toda esta polémica, principalmente porque “tenho de ir ter com um dos meus 20 amantes”. “Então, mas oh senhora de Beauvoir, isso não é um pouco... como é que eu hei-de pôr... rameirice?”, perguntei eu, inocentemente. “Não, é ter hormonas em excesso aos saltos. Por falar nisso, se dermos uma rapidinha na casa-de-banho você faz publicidade ao meu trabalho na sua notícia?”. Resta-me dizer que Simone de Beauvoir é uma escritora tão requintada e fantástica como Sartre, com uma veia artística descomunal, bem patente nos seus livros Os Mandarins e O Segundo Sexo.
Voltando ao epicentro do texto, quando voltei à cozinha desta casa caótica encontrei Sartre já sem a cor azul a tingir-lhe o corpo, mas com o seu orgão sexual ainda do mesmo tamanho, fazendo-me indagar que o frio não era um factor determinante para a variável comprimento. “Diga lá agora a sério, você só está a recusar este prémio Nobel para se armar em bom e ser diferente dos outros, não é?”, perguntei incisivamente. “Armar-me em bom para ser diferente dos outros? Ah ah ah essa é boa! Mas você pensa que eu sou o quê? Francês? Ele há com cada um!”. “Contudo, este já não é o primeiro prémio que o senhor recusa”, voltei à carga. “Sim, mas existe uma explicação deveras satisfatória para eu fazer isso. Imagine que agora aceitava todos os prémios e galardões que me davam. Onde é que punha as minhas 40 amantes? E mesmo assim já tenho de meter uma ou outra por cima do guarda-fatos, só para você ver as dificuldades por que passo.”.
Explorado que estava o tema da declinação do prémio Nobel, o mais sensato a fazer enquanto jornalista era ir embora. Por isso é que decidi fazer mais uma pergunta a Sartre: “O seu pénis é assim nanico porque o senhor também é um meia-leca acanhado?”. Sartre ficou rubro, mas a sua genitália continuava imóvel: “Ai agora está a fazer pouco, é? Então repare: eu tenho 40 amantes e ganho prémios que não aceito. Você vai para casa de mãos a abanar e nunca ganhará um Pulitzer porque o que o senhor faz nem se pode considerar jornalismo, é simplesmente uma abjecção truanesca.”. Furioso, repliquei: “Julga mesmo que vai levar a melhor na arte de insulto utilizando palavras caras? Contra mim? Eu sou o mestre dos insultos intricados! Quer ver? O senhor foi soldado meteorologista na II Guerra Mundial. Que é que se faz enquanto soldado meteorologista? Tenta adivinhar-se quando vai estar muito sol e calor, para que os outros soldados das trincheiras, aqueles palermas que combatem e dão a vida pelo país, não defequem nas horas anteriores a esse pico abrasador, senão o odor torna-se intolerável?”. Sartre, qual francês que acabou de ser atacado pela Bélgica, rendeu-se: “Com esta é que me tramou! Se houvesse um prémio para melhor insulto você ganhava”. Optei por não desistir de bater no minorca: “E se houvesse um prémio para o melhor sair de rabo entre as pernas, você ganhava... e rejeitava.”.
Após esta e mais algumas trocas amigáveis de impropérios, que não vou meter aqui porque o bom-senso e alguns palavrões não o permitem, eu e Sartre acabámos por andar ao murro. Um homem espadaúdo como eu depressa dava cabo do anão de metro e meio que era o autor francês, por isso ele lá acabou suplicando-me por misericórdia, compensando com a disponibilização de uma das suas amantes para o caminho. E jamais a expressão “nunca se sabe o que pode acontecer ao virar de cada esquina” teve tanto sentido.
23.10.10 | 0 comentários

“Não, ainda não te consigo perdoar, dá-me um tempo... Mais exactamente uns seis anos.”

Foi hoje, dia 18 de Outubro de 1951, assinado pelo presidente dos Estados Unidos, Harry Truman, um armisticio que põe um fim oficial ao estado de guerra entre os EUA e a Alemanha. Esta medida vem calar a boca de alguns críticos que acusam o Presidente Truman de não tomar medidas a tempo e de apenas tomar decisões burocráticas sem real efeito na vida dos americanos. Mamem Porcos! Quem é que não toma medidas a tempo agora? Em declarações que eu vou dizer que são exlusivas, Truman confessa estar “Satisfeito por finalmente ver os dois países em paz. Algumas pessoas dirão que há paz desde 1945, mas isso são claramente pessoas que nunca estiveram na mesma sala com alemães desde 45. Era cada olhar de esguelha! Bem, um clima de cortar à faca horrível! Mas agora com a assinatura deste documento importantíssimo, temos esperança, que essas divergências possam ser postas de lado.” Sorridente, o presidente continuou a falar com os jornalistas, numa conversa que alguns por de certo classificariam de importante, mas que o meu sentido de verdade me obriga a rotular de entediante, mal-cheirosa e pouco fofinha.
Como sou um jornalista nada dado a elitismos, depois de ouvir as declarações do presidente desloquei-me no meu Roll´s Royce até a um rua cheia de gente do povo. Ao sair do carro fui olhado com estranheza, sentimento que eu nunca esperaria que o meu casaco de peles de raposa provocasse. Passado pouco tempo percebi, contudo, que estas pessoas simples me tinham aceitado e estavam dispostas a falar comigo. O factor mais sintomático desta evidência foi talvez o rapto da minha filha. Ao levarem-me a pequena e deixarem-me um cartão no carro com a seguinte frase “Ou nos dás 400.000 doláres ou a tua filha falece, ricalhaço” as pessoas evidenciaram uma enorme vontade de falar comigo novamente. Fiquei contente, e como não sou um homem de desperdiçar opurtunidades, decidi aproveitar ao máximo a ausência da miúda que tantas vezes me complica o trabalho.
Ao perguntar a uma pessoa comum (um velho senhor com uma pala negra sobre a vazia órbita do olho direito) a sua opinião sobre a assinatura destes documentos, recebi uma resposta elucidativa do estado de espírito da populaça “o Presidente assinou o quê?!? Então mas não estávamos já em paz?! Mau, tu queres ver que tenho de ir lutar outra vez com os nazis?! Já perdi um olho não quero perder outro...” . Esta resposta, além de esclarecedora, fez com que também perdesse o meu carro. Pois no tempo em que o sr. Sparrow me contou a história de como perdeu o olho (uma curta fábula de 3 horas e meia que envolve papagaios comedores de olhos e um palhaço nazi domador de papagaios comedores de olhos) o meu carro foi roubado. Moderadamente chateado com a forma como esta reportagem estava a correr decidi ligar para os senhores que raptaram a minha filha. Ao desligar o telefone fiquei furioso. Os imbecis recusaram-se terminantemente a prestar declarações sobre a assinatura do armistício. Que animais! Como é que são capazes de negar declarações a um jornalista desesperado?! Que bestas... Ah, e também me disseram que se quisesse a minha filha a podia ter de volta. Ao que parece a petiz começou a fazer das dela, e eles já não a podem ver à frente e afirmam que “respiraremos de alívio no momento em que a virmos pelas costas”. Acontece às vezes, mas comigo não que sou pai dela e a amo mais que tudo neste mundo. Bom, está na hora de acabar esta reportagem e ir buscar a pequena aos raptores, faz hoje dois meses que não a vejo e começo a sentir saudades.
23.10.10 | 0 comentários

Entrevista: Graham Chapman


Quem ler esta entrevista tem de fazer uma vénia cerimoniosa de 10 em 10 segundos, pois o entrevistado assim o exige. Aliás, o nivel do entrevistado é tão alto e as suas respostas tão boas que deviam mandar esta entrevista por mail a todos os vossos conhecidos, mas tenham cuidado, não queremos que vá parar ao SPAM! Para vocês, Graham Chapman, ou o polícia que interrompe sketchs. Texto: É nosso mas o Chapman confessou-nos que podia perfeitamente ser um dos dele Foto: do homem da Sala dos Insultos


This interview is too silly! I am gonna close this!
Como jornalistas, vemo-nos sempre obrigados a ser imparciais, algo que nós, no Jazigo, seguimos à risca. Agora que isto está esclarecido, dá-nos um autógrafo?
Obviamente que dou, então! Eu sou uma pessoa simpá... Esperem lá um momento, vocês estão a tirar as calças para quê? Eu não dou autógrafos no rabo, era o que mais faltava! No peito ainda tudo bem, agora haja algum decoro!
Formou-se em medicina com notas altissimas, e no período em que se inquiria se deveria seguir a carreira artística ou ser médico, conheceu a Rainha Mãe e perguntou-lhe a sua opinião. Não achou arriscado deixar a sua vida nas mãos de alguém cuja linhagem de sangue apenas chegou aos dias de hoje por primos se casarem entre si?
Foi uma mera questão formal, obviamente que não tencionava ponderar a minha decisão com base na resposta dela. Se assim fosse, o mais provável era espetar-me contra um poste e morrer novo ou então crescerem-me orelhas de elefante. Enfim, coisas comuns naquela família.
Acabou mesmo por preterir medicina para se tornar humorista de um dos melhores grupos de comédia da história. Como é que alguém prefere ver Terry Jones vestido de mulher do que tratar de traumatismos crânio-encefálicos?
Caso se tenha esquecido, todo eu transpiro laricice, logo ver homens vestidos de mulher é uma das coisas mais “HUUU!” que me poderia acontecer.
Diga lá, agora que ninguém nos está a ler, afinal qual era a piada mais engraçada do mundo?
O José Sócrates é de esquerda e o Manuel Alegre ainda é socialista. Não, estou a brincar, não lhe posso contar a piada mais engraçada do mundo pois você faleceria, o que ainda é o menos, mas eu corro o risco de falecer duplamente o que seria uma chatice, visto que se para entrar no céu da primeira vez já foi dificil, imagine agora que vomitei duas vezes nos sapatos do S.Pedro (aqui no céu a bebida é do melhor!).
No filme Monty Python: A Vida de Brian, você foi raptado por extraterrestres por breves instantes. Como foi a experiência? Foi abduzido? Gostou?
Respondo-lhe com outra questão: Gostaria que lhe enfiassem uma sonda no ânus durante um quantidade de tempo equivalente a um ano para depois a retirarem e o fazerem sentar numa cadeira tipo as do Matrix, onde o seu cérebro é repetidas vezes furado e impregnado de imagens de Manuela Moura Guedes a fazer sexo oral a Mário Soares?
Depois de revelar publicamente a sua homosexualidade, os Monty Phyton receberam uma carta de uma senhora onde esta se queixava de um de vocês (ela não sabia qual) ser gay. Na missiva vinham 20 folhas com orações, que se fossem rezadas todos os dias o livrariam do inferno. Ao ler a carta, Eric Idle respondeu à espectadora dizendo “Descobrimos quem era e matámo-lo.” A minha pergunta é: ficou chateado com Idle por, além de se “virar” contra o público, não lhe ter dado as orações condenando-o assim ao inferno?
Não, não fico chateado. O Idle já teve a sua dose de rabichiche como vingança também: foi um juíz que vestia roupa interior feminina e um homem que abordava outros homens para saber como era estar intimamente com uma mulher. Chama-se karma, meu amigo.
O seu último trabalho foi o videoclip dos Iron Maiden “Can I Play with Madness”. Foi mesmo só como quem diz “olhem pá eu sou tão bom que até posso fazer videoclips que o meu prestigio nunca baixa!”?
Só fiz isso por uma razão: pensei que a mascote dos Iron Maiden, o Eddie, fosse a Carol Cleveland, a Python não oficial. Afinal enganei-me. Eles até são bastante parecidos, devem ser família ainda.
Eric Idle disse no seu Elogio que você tinha morrido para não ouvir mais Michael Palin falar. Confirma?
Desminto. Morri porque já não aguentava mais com o silêncio do Terry Gilliam, aquele tipo é preciso um requerimento para abrir a boca e falar, interpretar e fazer coisas à frente de uma câmera. Além do mais, o Idle contou-me que no futuro planeava entrar num filme juvenil de fantasmas. Pregou-me cá um susto! E ele nem era nenhum dos fantasmas do filme em questão.
A sua autobiografia foi escrita por cinco pessoas. Estará a sua autobiografia para as biografias como Elsa Raposo está para as pessoas normais, ou seja, cheia de gente?
É nestas alturas que me arrependo de aceitar entrevistas depois de morto. Quando algo é escrito por outras cinco pessoas, a modos que deixa de ser uma autobiografia. Mas pronto, que se lhe há-de fazer? Jornalistas ignorantes, é o que é! E repararam como eu fugi tão brilhantemente à resposta para não falar de Elsa Raposo?
Chegou a altura de esclarecer uma dúvida que perturba tanta gente: no Paraíso pode-se comer Spam? Se sim, então como é que você que não gosta de Spam se safa das pessoas que gostam de Spam e lhe tentam impingir Spam Spam Spam Spam e Spam? Já conseguiu comer Spam, nem que fosse Spam com Ovos e Spam? Ou pediu os Ovos sem Spam e Spam, mas acompanhados com Bacon, Spam, Torrada, Spam, um galão, Spam e Spam? O Spam é enjoativo ou pode-se comer Spam Spam Spam Spam Spam Spam Spam e mais Spam sem se cansar de tanto Spam? Percebeu a Spam? Ou melhor, percebeu a pergunta?
Lamento não ter podido responder a esta pergunta em condições mas ela foi parar ao lixo do meu email, por o meu PC pensar que era Spam. Tecnologias!
Olhando hoje para o trabalho que os seus colegas desenvolveram, consideraria John Cleese o mais “abichanado” por ter entrado nos filmes A Pantera Cor-de-Rosa?
Não, houve alturas em que, confesso, o meu pensamento era esse, mas depois vi-o no Harry Potter e mudei de opinião. Quer dizer, tinham cortado a cabeça ao gajo e ele ainda andava por ai como se nada fosse? É de homem! A mim se me cortassem a cabeça aproveitava a ocasião para relaxar e não fazer nenhum. Mas o gajo não! Continuava a lutar com cobras e o caneco, impossível de chamar maricas a um homem assim. E acredite em mim, se há alguém que percebe de maricas sou eu.
Imagine que está numa sala com duas portas que vão dar a outras respectivas duas salas. Uma das portas dá para uma sala onde se encontra uma ideia para um sketch bestial guardada por dez anacondas. A outra porta encaminha-o para uma sala onde 50 escorpiões tomam conta de uma garrafa de gin. Tendo em conta que não pode voltar atrás, em qual das salas entraria?
Essa é fácil. Mandava o Cleese entrar na das anacondas com um dos lemures dele, dava o papagaio morto a comer aos escorpiões e bebia o gin. No final do dia, o Cleese contar-me-ia a sua ideia genial e eu com a ajuda do gin dava-lhe o toque final que a tornaria num clássico. Fizemos isto aliás, várias vezes, o Dead Parrot surgiu assim. A única diferença é que na sala onde escrevíamos estavam uns gajos da Inquisição Espanhola.



23.10.10 | 0 comentários

O outro projecto destes dois dementes

O Jazigo das Notícias

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