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Entrevista a D.João V

Written By Tiago Lacerda on sábado, 18 de dezembro de 2010 | 18.12.10


Quando chegámos ao Palácio de Belém a megalomania e a soberba enchiam o espaço. Ainda bem que removeram as escutas se não nem nos podíamos mexer. D. João V estava sentado num trono banhado de ouro e de sebo. Apresentámos a esta gente o conceito "água", mas o Rei já está demasiado afeiçoado à família de besouros que tem debaixo dos sovacos. Foi no meio de um concurso de "A ver quem salta mais longe na peruca do rei" levado a cabo por meia dúzia de pulgas que a entrevista decorreu. O vencedor fomos nós, jornalistas, que saimos a tempo antes de um guaxinim sair da breguilha de João a cantar "Na loja do Mestre André". Texto: Tiago Lacerda e Sérgio Pereira Foto: Bem, não é bem uma foto, pois não?
Confirma que o seu cognome de Rei-Sol vem do facto de que se as pessoas olharem durante muito tempo para si espirram sem parar?
Isso são boatos. Posso provocar às pessoas que me rodeiam uma adição nada saudável em Vitamina D ou, no caso de exposição alargada, queimaduras de 2º grau. Agora isso de encher o nariz de secreção mucal ao meu povo nunca!
Sente-se ofendido por existirem muitos romances literários e blockbusters cinematográficos à volta da vida de Luís XIV e dos Mosqueteiros, mas até agora ninguém ter feito algo do género com a sua pessoa e o seu amigo Pe. Luís Gonçalvieus?
Nem por isso. Quer dizer, se reparar o Luís nunca é um rei bem retratado. São sempre os mosqueteiros os heróis e o Luís, que tanto se esforçava e dava no duro para ser um absolutista condigno, é sempre o mau da fita. Não posso dizer que nós, absolutistas, não estejamos já habituados. As pessoas (não sei porquê) reagem mal ao facto de um só tipo ter todos os poderes, incluindo a sua vida e morte, nas mãos. É uma picuinhice dessa gente, que não é absolutista e não sabe o quanto custa ser um Rei-Sol. Mas respondendo à sua pergunta.... não.
E se alguém fizesse uma adaptação da sua vida para cinema, quem o interpretaria? Leonardo DiCaprio não vale que já fez de rei francês, estamos a falar de Absolutismo e não de Omnipotentismo.
Claro que não estamos a falar de omnipotentismo, que isso só Deus nosso Senhor Criador do Universo da Terra e dos leprosos tem capacidade para tal. Respondendo à sua pergunta, penso que o senhor que faz de vampiro no Crepúsculo dava bem. É um péssimo actor mas é lindíssimo e humilde, logo perfeito para fazer de mim. Uma vez que (e isto é que é mesmo engraçado) também eu sou um terrível actor e sou esbelto de uma forma que deixa muita senhora húmida. Especialmente as senhoras incontinentes.
Segundo as crónicas você era ignorante e devoto ou, trocando por miúdos, um religioso normal. Acha que foi por isso que não soube gerir o ouro do Brasil, ou é daqueles que acha que o ouro está bem é no altar da Nossa Senhora da Apanha da Laranja?
(risos estridentes) Desculpe, lembrei-me daquela vez que fui às festas da Nossa Senhora das Laranjas com toda a família real, e estava muito bem na minha cadeira nobre quando começou a garraiada. O touro confundiu a tenebrosa cara vermelha da minha Maria Ana com uma capa de toureiro, havia de vê-la a correr! Dei vinte mil coroas de ouro à organização da festa só por causa desse momento hilariante. Peço desculpa, a sua pergunta era...?
Você tinha um conhecido apetite sexual por freiras. A minha pergunta é: a Madre Teresa de Calcutá marchava ou você tem padrões?
Para mim, Madre Teresa de Calcutá seria uma espécie de doce conventual fora do prazo de validade. Mas tal como os iogurtes, mais valia comer antes que se se estragasse e tivesse de se deitar aos gatos.
Durante o seu reino o que você queria era fazer grandes obras. Em compensação deu cabo da vida do povo. Sente-se um José Sócrates?
Identifico-me mais com João Soares por uma razão muito simples: não consigo comer o T de Freeport tal como Sócrates. Comer como freiras, não letras do alfabeto. E se comesse dessas não era um T, muito perigoso pois pode ficar atravessado na garganta. Preferia antes um D ou um G ou mesmo um O. Algo mais rechonchudinho, tal como a minha preferência por freiras.
Mandou erigir o Convento de Mafra como parte da sua promessa a Santo António para ter filhos. Em nenhum momento receou que o santo não lhe desse filhos mas sim sardinhas, caldo verde, manjericos, martelinhos e marchas populares apresentadas por João Baião?
Eu não, mas a rainha confessou que não estava especialmente animada com a possibilidade de ter um João Baião a saltitar-lhe dentro da vagina e a dizer-lhe para “ir só fazer um xixizinho” enquanto ela estava em trabalho de parto. Felizmente tal não se sucedeu. Foi melhor para todos, menos para o macaco Hadrianno que nunca conseguiu sair do ânus da minha senhora.
Por causa deste convento, tivemos que aturar para todo o sempre com uma bruxa que via o âmago das pessoas e com um padre que queria voar. Se hoje fosse vivo, tentava fazer o 12º ano ou ia até ao nono e depois metia-se nas Novas Oportunidades?
Mas quê, eu a estudar algo que não sejam as sagradas escrituras ou as páginas da revista “Freiras nuas hoje – um guia de masturbação, brincadeira e pecado”? Não me parece.
Foi o responsável pelo início da construção do Aqueduto das Águas Livres. Confirma que, numa primeira fase, o projecto se chamava Aqueduto da Água-Pé Livre e era para acabar à porta de Manuel Vilarinho?
Confirmo pois! Então se ele era presidente do Benfica e eu o chefe do país não havia de haver moscambilhas entre nós? Claro que sim! Ou pensa que o Benfica ganhou o torneio do meu nome por mérito? Eles até cavalos com joelhos de ferro tinham!
TGV ou Convento de Mafra? Porquê?
Gostava de ver o TGV a dar uma soberba obra literária. Além disso não se podem construir comboio para fazer filhos, podem fazer-se filhos em comboios. A energia cinética deve tornar tal coisa num desafio bem interessante.
18.12.10 | 0 comentários

Entrevista: Fernando Pessoa

Written By Tiago Lacerda on sábado, 20 de novembro de 2010 | 20.11.10

Poeta, pensador, doidivanas. Três adjectivos que se costumam usar para definir Fernando Pessoa, mas que se podiam aplicar a qualquer pessoa excepto os criadores deste blog. Texto: Tiago Lacerda, Sérgio Pereira, Tozé (amigo imaginário do Tiago), Manu (amigo imaginário do Sérgio), Anacleto (primo do Tozé), Eulália (casada com o Manu e a manter uma relação extraconjugal com o Bolinhas), Bolinhas (enteado do Tozé), Joca (não tem família nem amigos) Foto: Tirada pelo Álvaro de Campos, ou alguém tão inverosímel como ele (não sabemos porque somos, tal como o sujeito da foto, preguiçosos)
O seu primeiro heterónimo chamava-se Chevalier de Pas. Que necessidade foi essa de o seu primeiro amigo imaginário ter um nome larilas?
Sabe, é que eu estava naquela fase das experiências... E um amigo maricas era mesmo o que eu estava a precisar. E, olhe, aprendi muito com o Chevali (era assim que eu o tratava. Já ele alcunhou-me de “Pessoa Verga Boa” devido às vergas boas que eu costumava ter em casa, e que me serviam, sobretudo, para apoiar chapéus de chuva. Em especial chapéus de chuva de senhores africanos). Se hoje sou o homem heterossexual que sou devo-o à brutalidade e ao calor do Chevali.
Teve uma relação conturbada com Ofélia, o seu grande amor. Entre uma relação e outra, o Chevalier de Pas voltou a aparecer na sua vida para “preencher” algum “vazio”?
Não gostei da acusação que se prende nas aspas da sua pergunta. Além disso, já lhe disse que sou heterossexual. Ou quer ver que tenho de ir buscar as minhas plumas e as minhas meias de renda para o provar? Raios partam os jornalistas!
Era dado a misticismos e gostava de ocultismo. Ao mesmo tempo foi o poeta português mais brilhante de sempre. A minha pergunta é: Acha que o Professor Karamba ainda nos vai surprender com espectaculares poemas?
Antes de mais, quero agradecer-lhe por me considerar “o poeta português mais brilhante de sempre”. Realmente já estou farto que o Camões fique sempre com esse estatuto, em grande parte ganho por não ter um olho e por ter escrito uma epopeia ao nível do que os larilas dos poetas gregos fizeram. E depois, não haja dúvida que o Professor Karamba será no futuro um poeta magnífico. Aliás, no mesmo dia que isso acontecer, D. Sebastião regressa e eu ressuscitarei como um estorninho.
Você achava que a monarquia era o sistema político que mais se ajustava a Portugal. Tenho algumas palavras para si: D. Duarte Pio de Bragança e Nuno da Câmara Pereira. Ainda acha que a monarquia é que era giro?
Para si também algumas palavras: Cavaco Silva, Mário Soares, José Sócrates, Álvaro Cunhal, Paulo Portas, Carlos Carvalhas, Vasco Gonçalves, Pedro Santana Lopes. Ainda acha a república espectacular? E não venha cá com Castanheira Barros ou Pinheiro de Azevedo, apesar de bons não compensam o resto.
Se D. Sebastião, em vez de voltar montado num cavalo num dia de nevoeiro, aparecer ébrio numa Segway e numa noite de chuva miúda, acha que continuamos a ter hipóteses de ser o Quinto Império?
Depende. Se ele apaziguar esses monstros sedentos de especulação que são os mercados então sim. Se por outro lado ele se embriagou na Irlanda (o que é muito possível tendo em conta a tradição do país) aí já acho mais dificil. Mas, hei, Quinto Império 4ever!
Não acha que se o Alberto Caeiro gostasse tanto da natureza como diz, se deveria inscrever na Quercus? Já que estamos nisto, que pensa ele do Al Gore?
Deveria, mas se ele entrasse na Quercus teria de ser colega da vedeta que é o Francisco Ferreira, além de poder ser solicitado para fazer o Minuto Verde da RTP, e todos sabemos como o Caeiro é acanhado. Quanto à outra pergunta, ele tem pena do Al Gore. Outro dia disse-me: “Como é que é possível aquele tipo perder umas eleições para um bebedolas ignorante e depois andar a fazer filmes sensacionalistas com pouco fundo de verdade? Ele tornou-se exactamente naquilo que o mundo menos precisava: o fruto de uma one night stand entre Dan Brown e Michael Moore”.
Confirma que Álvaro de Campos tinha erecções a ouvir martelos pneumáticos?
Tinha. Tinha com isso e com brocas, escavadoras e todo o tipo de objecto tecnológico que tenha um duplo sentido que o ligue não só a uma ferramenta, mas também a algo de índole sexual e/ou badalhoca.
Concorda com as sacanagens que o Ricardo Reis fez à Lídia no Ano da Sua (Ricardo Reis) Morte? É que, enquanto fantasma, você não fez tudo o que podia para evitar aquela cafagestisse...
Como ousa questionar a minha acção ou falta dela? Como ousa pensar que, só por eu ter criado o Ricardo Reis, tenho direito a controlar tudo o que ele faz e a dar-lhe uns carolos quando ele se porta mal? E, acima de tudo, como ousa bater em mortos? Mas você quer tornar-se o meu Sousa Lara, é?
Se fosse para uma ilha deserta e só pudesse levar consigo um heterónimo, qual levava e porquê?
Alberto Caeiro não porque passaria o dia a chagar-me com elogios à paisagem monótona; Álvaro de Campos não porque passaria o dia a chagar-me por não haver o “magnífico barulho das máquinas”. Por isso levaria Ricardo Reis, queria vê-lo ser epicurista quando os côcos se acabassem. Além disso, se nessa ilha estivesse Evangeline Lilly, seria mais uma boa razão para levar o heterónimo maricas.
Há vários anos que o podemos ver fora do Café Brasileira com uma chávena de café na mão. Por falar em gente que se senta em esplanadas durante bastante tempo sem fazer um chouriço, já conheceu Ronald McDonald?
Sem fazer um chouriço? Quanto ao Ronald não sei, que penso ser difícil fazer enchidos com carne de ratinho, mas eu não fico sentado sem fazer nada. Estou a meditar em poemas que influenciarão gerações e gerações de poetas. Mais, às vezes chego a estar a pensar na Ofélia nua a fazer três enrolamentos à retaguarda... Oi... Não era suposto você ter ouvido isto. Esqueçamos este assunto.
Ópio ou tinto?
Ópio, tinto, absinto e coca-cola tudo misturado. Primeiro estranha-se, depois entranha-se, ao fim vomita-se, mas bate...! Oh se bate!
20.11.10 | 0 comentários

Entrevista: Graham Chapman

Written By Tiago Lacerda on sábado, 23 de outubro de 2010 | 23.10.10


Quem ler esta entrevista tem de fazer uma vénia cerimoniosa de 10 em 10 segundos, pois o entrevistado assim o exige. Aliás, o nivel do entrevistado é tão alto e as suas respostas tão boas que deviam mandar esta entrevista por mail a todos os vossos conhecidos, mas tenham cuidado, não queremos que vá parar ao SPAM! Para vocês, Graham Chapman, ou o polícia que interrompe sketchs. Texto: É nosso mas o Chapman confessou-nos que podia perfeitamente ser um dos dele Foto: do homem da Sala dos Insultos


This interview is too silly! I am gonna close this!
Como jornalistas, vemo-nos sempre obrigados a ser imparciais, algo que nós, no Jazigo, seguimos à risca. Agora que isto está esclarecido, dá-nos um autógrafo?
Obviamente que dou, então! Eu sou uma pessoa simpá... Esperem lá um momento, vocês estão a tirar as calças para quê? Eu não dou autógrafos no rabo, era o que mais faltava! No peito ainda tudo bem, agora haja algum decoro!
Formou-se em medicina com notas altissimas, e no período em que se inquiria se deveria seguir a carreira artística ou ser médico, conheceu a Rainha Mãe e perguntou-lhe a sua opinião. Não achou arriscado deixar a sua vida nas mãos de alguém cuja linhagem de sangue apenas chegou aos dias de hoje por primos se casarem entre si?
Foi uma mera questão formal, obviamente que não tencionava ponderar a minha decisão com base na resposta dela. Se assim fosse, o mais provável era espetar-me contra um poste e morrer novo ou então crescerem-me orelhas de elefante. Enfim, coisas comuns naquela família.
Acabou mesmo por preterir medicina para se tornar humorista de um dos melhores grupos de comédia da história. Como é que alguém prefere ver Terry Jones vestido de mulher do que tratar de traumatismos crânio-encefálicos?
Caso se tenha esquecido, todo eu transpiro laricice, logo ver homens vestidos de mulher é uma das coisas mais “HUUU!” que me poderia acontecer.
Diga lá, agora que ninguém nos está a ler, afinal qual era a piada mais engraçada do mundo?
O José Sócrates é de esquerda e o Manuel Alegre ainda é socialista. Não, estou a brincar, não lhe posso contar a piada mais engraçada do mundo pois você faleceria, o que ainda é o menos, mas eu corro o risco de falecer duplamente o que seria uma chatice, visto que se para entrar no céu da primeira vez já foi dificil, imagine agora que vomitei duas vezes nos sapatos do S.Pedro (aqui no céu a bebida é do melhor!).
No filme Monty Python: A Vida de Brian, você foi raptado por extraterrestres por breves instantes. Como foi a experiência? Foi abduzido? Gostou?
Respondo-lhe com outra questão: Gostaria que lhe enfiassem uma sonda no ânus durante um quantidade de tempo equivalente a um ano para depois a retirarem e o fazerem sentar numa cadeira tipo as do Matrix, onde o seu cérebro é repetidas vezes furado e impregnado de imagens de Manuela Moura Guedes a fazer sexo oral a Mário Soares?
Depois de revelar publicamente a sua homosexualidade, os Monty Phyton receberam uma carta de uma senhora onde esta se queixava de um de vocês (ela não sabia qual) ser gay. Na missiva vinham 20 folhas com orações, que se fossem rezadas todos os dias o livrariam do inferno. Ao ler a carta, Eric Idle respondeu à espectadora dizendo “Descobrimos quem era e matámo-lo.” A minha pergunta é: ficou chateado com Idle por, além de se “virar” contra o público, não lhe ter dado as orações condenando-o assim ao inferno?
Não, não fico chateado. O Idle já teve a sua dose de rabichiche como vingança também: foi um juíz que vestia roupa interior feminina e um homem que abordava outros homens para saber como era estar intimamente com uma mulher. Chama-se karma, meu amigo.
O seu último trabalho foi o videoclip dos Iron Maiden “Can I Play with Madness”. Foi mesmo só como quem diz “olhem pá eu sou tão bom que até posso fazer videoclips que o meu prestigio nunca baixa!”?
Só fiz isso por uma razão: pensei que a mascote dos Iron Maiden, o Eddie, fosse a Carol Cleveland, a Python não oficial. Afinal enganei-me. Eles até são bastante parecidos, devem ser família ainda.
Eric Idle disse no seu Elogio que você tinha morrido para não ouvir mais Michael Palin falar. Confirma?
Desminto. Morri porque já não aguentava mais com o silêncio do Terry Gilliam, aquele tipo é preciso um requerimento para abrir a boca e falar, interpretar e fazer coisas à frente de uma câmera. Além do mais, o Idle contou-me que no futuro planeava entrar num filme juvenil de fantasmas. Pregou-me cá um susto! E ele nem era nenhum dos fantasmas do filme em questão.
A sua autobiografia foi escrita por cinco pessoas. Estará a sua autobiografia para as biografias como Elsa Raposo está para as pessoas normais, ou seja, cheia de gente?
É nestas alturas que me arrependo de aceitar entrevistas depois de morto. Quando algo é escrito por outras cinco pessoas, a modos que deixa de ser uma autobiografia. Mas pronto, que se lhe há-de fazer? Jornalistas ignorantes, é o que é! E repararam como eu fugi tão brilhantemente à resposta para não falar de Elsa Raposo?
Chegou a altura de esclarecer uma dúvida que perturba tanta gente: no Paraíso pode-se comer Spam? Se sim, então como é que você que não gosta de Spam se safa das pessoas que gostam de Spam e lhe tentam impingir Spam Spam Spam Spam e Spam? Já conseguiu comer Spam, nem que fosse Spam com Ovos e Spam? Ou pediu os Ovos sem Spam e Spam, mas acompanhados com Bacon, Spam, Torrada, Spam, um galão, Spam e Spam? O Spam é enjoativo ou pode-se comer Spam Spam Spam Spam Spam Spam Spam e mais Spam sem se cansar de tanto Spam? Percebeu a Spam? Ou melhor, percebeu a pergunta?
Lamento não ter podido responder a esta pergunta em condições mas ela foi parar ao lixo do meu email, por o meu PC pensar que era Spam. Tecnologias!
Olhando hoje para o trabalho que os seus colegas desenvolveram, consideraria John Cleese o mais “abichanado” por ter entrado nos filmes A Pantera Cor-de-Rosa?
Não, houve alturas em que, confesso, o meu pensamento era esse, mas depois vi-o no Harry Potter e mudei de opinião. Quer dizer, tinham cortado a cabeça ao gajo e ele ainda andava por ai como se nada fosse? É de homem! A mim se me cortassem a cabeça aproveitava a ocasião para relaxar e não fazer nenhum. Mas o gajo não! Continuava a lutar com cobras e o caneco, impossível de chamar maricas a um homem assim. E acredite em mim, se há alguém que percebe de maricas sou eu.
Imagine que está numa sala com duas portas que vão dar a outras respectivas duas salas. Uma das portas dá para uma sala onde se encontra uma ideia para um sketch bestial guardada por dez anacondas. A outra porta encaminha-o para uma sala onde 50 escorpiões tomam conta de uma garrafa de gin. Tendo em conta que não pode voltar atrás, em qual das salas entraria?
Essa é fácil. Mandava o Cleese entrar na das anacondas com um dos lemures dele, dava o papagaio morto a comer aos escorpiões e bebia o gin. No final do dia, o Cleese contar-me-ia a sua ideia genial e eu com a ajuda do gin dava-lhe o toque final que a tornaria num clássico. Fizemos isto aliás, várias vezes, o Dead Parrot surgiu assim. A única diferença é que na sala onde escrevíamos estavam uns gajos da Inquisição Espanhola.



23.10.10 | 0 comentários

Entrevista de uma morte: J. R. R. Tolkien

Written By Sérgio Pereira on sábado, 18 de setembro de 2010 | 18.9.10



John Ronald Reuer Tolkien foi professor, escritor, poeta, filólogo e um bocado geek. Para esta entrevista fomos até à cave da casa dos pais, e quando o encontrámos estava de fato de treino a jogar Pac-Man há dez horas seguidas, e nem do nível 150 tinha passado ainda, o amador. Depois de desligar o jogo dispôs-se a falar connosco e lá começámos a entrevista que tínhamos vindo fazer. Munidos das nossas canetas de Elendril enfrentámos esta entrevista de maneira mais corajosa que Bilbo enfrentou Smaug. Apesar de o peso de entrevistar o senhor fantasia ser mais pesado que o Anel Um conseguimos fazê-lo sem perder dedos. E como podem ver, depois de tantas referências geek não é a única coisa que ainda não perdemos. Texto: Sérgio Pereira e Tiago Lacerda Foto: JPEG de 676x440 pixéis com 44739 bytes
Combateu na Primeira Guerra Mundial, mas foi afastado da linha da frente e enviado para casa por ter contraído o tifo. Sífilis foi opção ou na sua companhia não havia ninguém que humedecesse o pavio?
[sorriso nostálgico] Se começasse a explanar sobre o que passei na WWI, tínhamos assunto para mais uma saga. Digamos que a vida nas trincheiras era excitante, e que o cheiro afrodisíaco a fezes humanas e podridão acaba por levar muita gente a cometer desvarios.
Você falava 17 idiomas. A pergunta que se impõe é: porque é que nunca apresentou o festival da Eurovisão?
Sabe, o Eládio Clímaco… [expressão de desalento] Nunca tive hipóteses, ainda concorri uma data de vezes, mas estava lá sempre ele. Ainda me cheguei a disfarçar de mulher, pois assim podia fazer par com o Eládio, mas depois apareceu a Serenella Andrade, as oportunidades como que se esfumaram.
Você inventou duas línguas élficas. Como se sente ao saber que fez com que milhares de pessoas ficassem para sempre virgens devido ao facto de estudarem os idiomas que inventou?
Sinto-me bem, sinto-me satisfeito, sinto-me revigorado. Eu inventei-as, tomou-me algum tempo, mas foi só passar para o papel aquilo que vinha magicando na cabeça. Depois disso pude continuar sem contratempos a minha relação com a Edith. Agora percebo que as coisas não tenham sido fáceis para aqueles que se tenham dedicado a esse estudo. Mas também ninguém os obrigou.
O professor possuía um interesse exacerbado por mitos, contudo era católico fervoroso. Que incoerência é esta?
Não gosto da maneira como formula a pergunta. A maneira como diz “interesse exacerbado” parece que me está acusar de alguma ilegalidade e soa terrivelmente parecido com aqueles GNR´s que dizem “O senhor efectuou uma contra ordenação grave pela qual será neste momento autuado e posteriormente notificado em sede de residência”. Eu ia devagarinho caraças! Mas os gajos vêm um homem a fumar cachimbo pensam logo “este é rico ‘bora autuar!”. Não sei se reparou que até aqui evitei responder à sua pergunta, mas aqui vai a sua resposta:
Huj kuku hiiiii paptipopatupa gugota bonerte cawaka xiiiiiiiiiiii xiiiiiiiiiiii putz xi gurt pok pokto grrr xiiiiiiiiiii xiiiiiiiiii.
Espero que o facto de responder em Partonês, uma língua que eu inventei enquanto fui ao W.C., não o incomode.
Foi amigo próximo de C.S. Lewis, criador de As Crónicas de Nárnia. Nunca pensaram fazer um spin-off, em que (a título de exemplo) Frodo e Sam teriam de se juntar aos quatro irmãos para irem à procura do desaparecido Leão, enfrentando pelo meio a Bruxa Branca, Nazgûls e, vá lá, um louva-a-deus ainda mais sexy que a Shelob?
Primeiro creio que eram só três irmãos e não quatro. Penso que você de tanto se imaginar em Nárnia montado de forma viril num lindo e colorido unicórnio ficou a pensar que era um dos irmãos/reis de Nárnia. O que me dá pena é que você nem seja nem tenha possibilidades de vir a ser, pois enquanto acabava de fazer a sua pergunta fui verificar a sua árvore genealógica e não há vestígios de na sua família primos casarem com primos, nem de virgens terem o seu casamento combinado desde tenra idade. Assim nada feito. Quanto à sua pergunta, tenho alguma dificuldade em responder-lhe a essa questão de forma completa e plenamente satisfatória mas vou tentar: Não.
Tudo começou com a frase “Num buraco do chão vivia um hobbit”. Se em vez de ter escrito essa frase tivesse escrito “No pescoço da girafa brilha um bonito colar” acha que tinha inventado à mesma a Terra Média? Se sim quais seriam as diferenças? Se não porquê? Se talvez dê um tabefe em si próprio por não responder em termos a um jornalista honesto.
[longo suspiro] Pergunta difícil. O mais complicado seria estabelecer uma razão para a existência de uma girafa na Terra Média. Tudo porque um animal com um pescoço tão grande e com algo brilhante no mesmo poderia distrair constantemente os Nove Cavaleiros, pensando que o Anel se encontrava ali. E com essas distracções a tarefa do Frodo em destruir o Anel ficava muito mais facilitada pois não tinha de andar constantemente a fugir. Enfim, digamos que por alguma razão é que eu sou um escritor de renome e você um reles jornalista.
Quando Bilbo encontra o Anel em Hobbit, e joga às adivinhas com Gollum, uma das adivinhas começa com a frase “Esta coisa todas as coisas devora”. Referência a Elsa Raposo?
[gargalhada maléfica] Para lhe ser sincero, deviam ser poucas as pessoas em Oxford que não conheciam a Elsa. Tive a oportunidade de conviver nos mesmos espaços que ela frequentava e trocar inclusive algumas palavras. Porém não a esquartejei, pois ela achava-me lunático demais. Além disso tinha-se espalhado o rumor na universidade que eu tinha um pénis diminuto por causa de tanta fantasia. Rumores infundados, devo esclarecer. Mas deverão ter contribuído para a decisão dela.
Os hobbits Merry e Pippin tiveram algum tipo de relação homossexual no seio da Floresta de Fangorn?
Já cá faltava a pergunta/piada homossexual sobre um dos pares de hobbits! (suspira) Em resposta à sua pergunta, não eles não tiveram nenhum tipo de relação maricas que eu sou um autor temente a Deus, e não me pareceu bem pôr mais larilas nos meus livros. Quer dizer o Frodo e o Sam já esticam a corda ao máximo, não é?
O professor criou aquela que é possivelmente a aranha mais sexy do mundo, a Shelob. Cerca de 50 anos depois, J.K. Rowling decidiu fazer-lhe concorrência com a Aragog, igualmente detentora de uma beleza descomunal. Isto deixou-o de alguma forma irritado? Ponderou algum momento processar Rowling por concorrência desleal, pois Aragog tinha igualmente milhares de filhos sexys e Shelob não?
Vamos por partes. Em primeiro lugar agradeço-lhe a distinção de sexyness que concede a Aragog, é algo porque fico muito reconhecido e ligeiramente preocupado consigo. Quanto ao facto de a Jo ter criado uma aranha sim, deixou-me irritado. Não o facto de ela ter criado uma aranha bonita, nem por lhe ter dado uma enorme família mas sim por a ter feito ceguinha. Então mas que é isto? Uma aranha que é sexy e cega? Que atrai e assusta por um lado e por outro dá pena? Mas isto são livros de fantasia ou um videoclip do Lionel Ritchie? Isso sim é concorrência desleal. Por fim nunca pensei em processar Rowling por concorrência desleal, devido a um pequeníssimo imbróglio jurídico: estou falecido.
Numa batalha entre o seu personagem Gandalf e José Sócrates quem acha que venceria? Não se esqueça de que o José pode fazer Gandalf ficar sem direito a reforma e dar-lhe cabo dos PPR´s...
Diria José Sócrates. Gandalf ainda poderia amedrontá-lo com um cavernoso “Não passarás!”, mas Sócrates não teria problema em reagir dizendo a Pedro Silva Pereira que “ou aquele idoso de barbas brancas se comporta ou corto-lhe o RSI. Já tem uma certa idade e parece algo vagabundo, mas se consegue bater com o ceptro no chão com aquela força toda, então é sinal de que ainda pode trabalhar. Além disso não quero ter o Portas à perna por causa de estar a ajudar um velho que anda com anões atrás.”.
18.9.10 | 0 comentários

Entrevista a Princesa Diana

Written By Tiago Lacerda on sábado, 21 de agosto de 2010 | 21.8.10




Se quiséssemos definir Diana Spencer podíamos optar pelo caminho fácil e dizer que o seu filme favorito era o Crash, que admirava a maneira de conduzir de Toy e que se fosse um desenho animado seria um Pokemon devido a sua capacidade de ficar “enrolada” numa espécie de bola de ferro. Mas não queremos ir pelo caminho fácil. Por isso dissemos só que Diana foi uma mulher à frente do seu tempo, tão à frente que quando entrou no túnel nunca mais viu nenhuma luz. Texto: Tiago Lacerda e Sérgio Pereira Foto: Não é nossa, isso podem apostar.
Teve uma infância complicada, e sempre afirmou que queria formar uma família feliz. A minha pergunta é óbvia: se queria ter uma família feliz porque raio se casou com gente que tem o costume de casar primos entre si? Acha que algo de bom adviria daí?
Há primos e primos. Há primos direitos e em 2º grau. E há também os primos com quem se gostava de dar umas cambalhotas, e esses aí não têm grau, é logo pumba. Mas estar a julgar a família britânica por aí é pouco ético. Eles deviam ser julgados pela sua falta de sanidade mental e beleza. São todos uns cachalotes. Só me meti com eles porque fazia parte dos longos planos do meu país - Honrado sejas, País de Gales! A tua erva alimenta a minha mente! – invadir e conquistar a Cornualha, só pelo prazer de ter mais um nome engraçado na nossa língua.
Quais são exactamente os privilégios de se ser Princesa de Gales? Que vantagens provêem da sua soberania sobre longos campos verdejantes, bêbados em pubs e palavras super-longas?
A vantagem é só uma (mas é muito boa): Poder dar uma real tampa ao Duque de Bragança. Ah ah, cada vez que me lembro da cara dele quando o desamiguei no Facebook, com ele a ver via MSN, mesmo à frente dos reis de Espanha. Ah ah!
Não acha irónico que lhe chamem princesa do povo quando você foi das pessoas que mais lutou contra a SIDA? Quer dizer, normalmente as pessoas que são do “povo” ou da “vida” é correm mais risco...
Sim, mas repare. No fundo, o que é a ironia se não uma @%! $? Ela gosta de se meter em tudo o que encontra mais aberto!
O que é melhor, em termos de caridade, para si: salvar um pobre desgraçado de uma mina terrestre para cinco minutos depois descobrir que este tem SIDA, juntando assim o útil ao agradável? Ou participar num daqueles concertos tipo Live Aid onde tem a hipótese de ajudar os necessitados e ainda conhecer os U2?
Não sou grande fã do Bono, ele está sempre a roubar-me coitadinhos que eu podia potencialmente salvar. Preferia uma cerimónia mais recatada: eu, os putos doentes e a Cher. Ela, com o seu hálito de botox, bastava abrir a boca para cantar a “Believe” que curava logo uma dezena. E então se aparecesse o Sonny eu ganhava novamente importância, alertando o público para os perigos da violência doméstica.
Durante toda a sua vida o seu marido acabava invariavelmente por a trocar por Camilla Parker-Bowles. Se lhe pudesse ter sido dada a possibilidade de escolha entre ser trocada por Camilla ou por um cavalo de raça pura e companheiro de longa data da Cicciolina, quem escolheria?
O cavalo. Porque se o Carlinhos me trocasse por um cavalo, ao menos tinha a consolação de ter sido trocada por o cavalo ter algo que eu não podia dar ao Carlos (a não ser que usasse um daqueles brinquedos sexuais que se põem à cintura e de que a Rainha-Mãe me falou tanto). Assim fico triste ao ver que o meu Carlinhos, além de fazer parapente com as orelhas, está a perder a vista, pois troca-me a mim por aquela… vou chamar-lhe mulher... para não lhe chamar um nome feio que faça Deus e a minha imaculada vagina chorarem lágrimas de sangue. Enfim... (suspiro irado)
Depois do divórcio do Cajó, envolveu-se com um tipo chamado Dodi. Tem algum fetiche por pessoas com nome de desenho animado das manhãs da RTP2? Se sim, o que faria se conhecesse o carteiro Paulo?
Isso é mentira, eu não tenho nenhum fetiche com pessoas com nomes de desenho animado da RTP2. Mas enfim, é disso que as calúnias são feitas, disso e da urina do Cláudio Ramos. Agora se quer saber os meus fetiches não tenho problemas. Tenho um fetiche com pessoas com nomes de desenho animado do Canal Panda. Se me aparece um Doramon à frente meu Deus! Não me responsabilizo pela forma como aquele gatão chega às mãos do Nobita! E os Digimons, bem vamos só dizer que se os apanho envio-os para um mundo digital com porta de entrada pela minha patareca.
Tendo em conta que Paris é considerada a cidade do amor, como se sentiu ao ser @#%&*! contra um poste?
Mal, senti-me muito mal. Então eu forniquei sem usar preservativo que é tipo, a principal maneira de apanhar a Sida? Hipocrisias, Diana? HAH HAH (Diana meneia os ombros e as mãos) Não obrigado! Deixe-me dizer-lhe, se pudesse voltava atrás e cobria aquele poste de látex de forma mais rápida do que a Elsa Raposo a embrulhar chouriços.
Numa das suas campanhas mais conhecidas você foi a Angola ter aulas sobre minas terrestres. O seu tempo não teria sido mais bem empregue a dar aulas de condução ao seu motorista?
Eu não lhe dei, mas contratei o Michael Schumacher – Mica como eu lhe chamo – para o ajudar. Mas você já conhece o Mica, a sua primeira lição foi como fazer cortes perfeitos aos outros automobilistas e a segunda foi como bater com violência contra algo sem se magoar. Mas o meu piloto não era bom aluno, sofria do Síndrome das Gajas Boas a Passearem de Minissaia pela Berma da Estrada. Muito complicada essa doença, irreversível, também fiz umas campanhas por ela.
Numa luta de polegares mas em que se usam orelhas em vez de polegares, quem ganharia: Rowan Atkinson, José Rodrigues dos Santos ou o ex-seu Carlos Filipe Artur Jorge?
Tenho de responder José Rodrigues dos Santos. O Carlos tem umas orelhas grandes, é verdade, mas servem mais para cartografar toda a área do Reino Unido, rios subterrâneos incluídos. Já o Ronny, é verdade que ele aprendeu a lutar para fazer lá aquela macacada dele em que entrou o Dr. House, mas você acha que ele tinha hipótese ao pé de um homem que conhece um antigo activo da Al-Qaeda? Não, sem hipóteses. Eles lá sabem usar as orelhas de uma maneira que nós nem temos noção.
Numa luta celestial entre Madre Teresa e João Paulo II quem levaria de vencida? Tenha em conta que a Madre tem capacidade para utilizar matracas e João Paulo II não.
João Paulo II. Ambos são meio corcundas, ambos dizem coisas que não fazem muito sentido segundo os princípios basilares da Igreja Católica, ambos nasceram no cu de Judas: bochecha direita – Polónia; bochecha esquerda – Macedónia. Mas mesmo com as matracas o Jota Pê continuava a usufruir dessa arma de destruição maciça que é aquele chapéu bicudo. Aquilo é coisa para, se bem arremessado, vazar uma ou mesmo as duas vistas, qual médico holandês no Algarve.
21.8.10 | 0 comentários

Entrevista de uma morte: Richard McDonald

Written By Sérgio Pereira on sábado, 17 de julho de 2010 | 17.7.10


Atleta, musculado, sadio. Estes são adjectivos que poderíamos aplicar a qualquer pessoa, desde que essa pessoa não seja Richard McDonald. Quando nos encontramos com ele vemos como consegue sozinho provocar um eclipse solar, e observámos como come um pacote de sal mascarado de batatas fritas. A conversa que entabulamos com ele é parca, outro adjectivo que nunca ninguém pensaria atribuir a McDonald, mas apesar de tudo interessante\estúpida. Durante a interacção entre estes dois exemplares profissionais do jornalismo e o cachalote que se nos apresentava à frente, um nauseabundo cheiro a galinha panada emanava no ar. Era visível que Rick já não tomava banho há alguns dias. Convidamo-lo agora a ler esta entrevista, elaborada por Tiago Lacerda e Sérgio Pereira e abençoada por Nossa Senhora de Fátima. Isto, se não tiver algo melhor para fazer, claro (de certeza que não tem até porque se tivesse não estava a ver este blog). Se depois de ler a entrevista começar também a sentir o cheiro a galinha panada, por amor de deus vá tomar um duche. Fotos: Surripiadas ao Google


Criou o McDonald’s em conjunto com o seu irmão, Maurice. Dado que um dos seus produtos mais famosos é o Big Mac, que utiliza precisamente o diminutivo do nome do seu irmão, não acha que, só por questões de igualdade, devia criar também um hambúrguer chamado Big Dick?

Não me parece uma boa ideia. Não porque o nome lembre um certo membro fálico de que o Ronald McDonald é especialmente fan, mas porque as pessoas ainda se podiam lembrar do Cheney enquanto comiam. Imagine a dor de barriga...

O primeiro estabelecimento McDonald’s foi construído na Califórnia. Tendo em conta que qualquer barraca construída nesse estado pode ser devorada pelas chamas a qualquer momento, não acha que foi um investimento arriscado?

Ora aí está o motivo porque eu sou um empresário milionário e você um reles jornalista de um pasquim on-line. Como é que se fazem os hambúrgueres? Fritam-se. Então onde é melhor instalar uma casa de hambúrgueres? No Alasca, onde faz frio como o caraças e temos a possibilidade de sermos mortos por um urso, ou pior, ver a Sarah Palin? Ou na Califórnia onde se poupa dinheiro nos grelhadores, fritando as hambúrgueres na pedra, e ainda temos a oportunidade de ver o Exterminador Implacável ao vivo? Pense nisso.

O McDonald’s tem um museu no local onde antes se encontrava instalado o primeiro restaurante da cadeia. Confirma os rumores de que o peso total do Museu é suportado pela gordura deixada pela máquina de fazer batatas fritas?

Não, credo! É só metade da gordura, a outra metade ainda hoje é usada por todo o mundo para grelhar os hambúrgueres e as batatas. Isto o preço do óleo anda pela hora da morte. Onde é que já se viu dar 1,39€ por um garrafão de 3 litros? Há que poupar!

Começaram o negócio em plena II Guerra Mundial. O vosso objectivo era matar os alemães com gordura acumulada no sangue ou deixar os judeus dos campos de concentração com água na boca ao ver um naco de carne de porco oriundo sabe-se lá de onde?

Nem uma coisa nem outra. O nosso objectivo era acabar com a fome no Mundo, e quase conseguimos. Fomos a África, reunimos todas as “criancinhas que não têm que comer, coitadinhas” e demos-lhes os hambúrgueres. O que aconteceu foi que elas se recusaram a comer aquilo, preferindo passar fome ou comer o cérebro de um macaco com sida (macaco esse com quem mantive uma relação de “amizade” muito linda). Enfim, pobres e mal agradecidas. Tudo bem ainda estávamos em fase de testes, e admito hambúrguer feito com carne de Kuala e fofura de pónei não soa muito apelativo, mas se tivessem mesmo fome até um McRanch comiam!

Se soubesse que o negócio que criou iria possibilitar, anos mais tarde, a existência de pessoas como o Fernando Mendes e a Simara, tinha-se suicidado?

Claro que não. Tinha, isso sim, comprado um catana e arranjado um super-catálogo. Uma catana para ser eu a “limar” a Simara e não o Povoas, como aconteceu. E um catálogo para ver se ganhava a montra final no Preço Certo, que aquilo tem lá prémios bons hã!

Em algum momento se sentiu ameaçado pela concorrência dos hambúrgueres de Krusty, o palhaço da série Simpsons?

Nem pensar nisso! Eu faço o meu negócio, não me preocupo com o dos outros. Depois deixamos o mercado falar por si. Por exemplo, no outro dia o Krusty oferecia um Krusty Menu a todos os que comprassem um Krusty Sundae. Nós, por outro lado, aproveitamos para oferecer um Sundae a quem compra-se um McMenu. Há grandes diferenças, e se está curioso fomos nós que vendemos mais. Até porque somos a única das companhias referidas que realmente existe, e talvez isso tenha ajudado.


A sua rivalidade com o KFC é meramente económica ou isso há gajas e galinhas pelo meio?

Posso dizer que há coxas envolvidas. Nós até nos dávamos bem, mas certo dia o Ronald e o Coronel Harland Sanders começaram a discutir quanto à melhor maneira de fazer um panado. Discordavam na questão da quantidade de gordura a utilizar. O Ron defendia que era Gordura elevada ao cubo elevada a infinito, o Coronel optava pela fórmula Gordura elevada a infinito a multiplicar por Gordura elevada a infinito. A discussão alcançou proporções tão gigantescas que até hoje nunca mais se falaram.

Se os hambúrgueres McDonald’s só são feitos a partir da carne das melhores vacas, porque é que a Paris Hilton e a Elsa Raposo ainda andam aí à solta?

Vê-se mesmo que vocês não prepararam esta entrevista. Para já esqueceram-se de mencionar Nereida. Depois não investigaram bem. Só lhe digo isto: Para onde pensa que vai toda a chicha que elas tiram nas operações plásticas? Para as mamas delas não?

Se eu lhe falar em rato no que pensa imediatamente? Huuuum Hamburgers..... Ou Huuuuummm Hamburgers....?

Penso mais em “Huuuuuuuuuuuuuuuuuuuum rato!”. Não há nada com mais proteínas e vitaminas que um rato, sabe? É verdade, como eles comem qualquer coisa que lhes apareça à frente, estão sempre cheios de todos os tipos de vitamina, de A a Zinco, e proteínas, tanto as de 200 como as de 1/1000 de Aminoácidos (não é preciso fazer cara de parvo, não é o único nesta sala que não faz ideia do que está a ser dito). Também estão cheios de bactérias, vírus e vermes, mas isso depois de bem fervidos e passados por óleo Fula com dois anos vai tudo à vida.

É verdade que quem comer 30 Happy Meals seguidos começa logo a levitar e a dançar com os anjos, ou antes disso ainda tem tempo para ir à casa-de-banho satisfazer a urgente necessidade número 2 que entretanto aparece?

Isso são calúnias que dietistas e pessoas que andaram anos a estudar medicina e nutrição começaram a espalhar tendo apenas por base os seus conhecimentos do funcionamento do corpo humano. Não devem por isso ser tidas em conta, até porque um estudo recente feito por uma empresa minha, muito credível, diz que isso é tudo mentira e que comer 30 Happy Meals até faz bem, especialmente ao coração e aos calos nos pés.

Muita gente diz que a comida servida na sua cadeia de restaurantes faz mal. Importa-se de vir comigo à Associação das Pessoas com o Miocárdio Entupido Devido ao Colesterol e dizer-lhe que isso é mentira?

Depende. É muito longe? Se fica a mais de um quilómetro não posso ir, fico cansado e com fome.

Admita lá, aquilo de o McDonald’s começar a vender saladas e sopas, foi só para o lucro não ser tão grande e assim declarar menos aos Impostos, recebendo consequentemente mais subsídios estatais, não foi?

(risos mafiosos) Vocês são danados para a brincadeira! Estou a ver que tenho de mandar uns quantos “amigos” meus (campeões de luta livre) fazer-vos uma visita... Mas respondendo à sua pergunta, não. Nós lançámos as sopas e saladas para melhor satisfazer os pedidos dos nossos clientes que são pessoas na sua maioria preocupadas com a saúde. (Risos incontroláveis).

Você serviu o hambúrguer número 50,000,000,000. A minha pergunta é esta: A sério? Contou todos os hambúrgueres que serviu? Isso não é um bocadinho paranóico e revelador de uma insegurança doentia?

Eu tenho uma mente maravilhosa no que toca a contar o número de hambúrgueres vendidos, diria mesmo uma mente brilhante. Sou uma espécie de John Nash do fast food. Até um amigo imaginário tenho. Chama-se Horácio e gosta de se esconder atrás das cortinas só para me pregar sustos quando entro numa divisão.

Se fosse um menu do McDonald’s qual seria e porquê?

Provavelmente seria o Filet-O-Fish com o pacote super-grande de batatas fritas, uma Maçã Dinamarquesa, Coca-Cola e o gelado McSundae. Tudo porque quando ando na rua com a minha mulher que, só por acaso, é uma manequim bem jeitosa, as pessoas costumam dizer “Eh carapau! Oh caramelo, olha que isso é fruta a mais para um gajo sem sal e que solta tantos gazes como tu!”.

Num batalha entre o Super-Homem e Ronald McDonald quem acha que ganharia e porquê?

Assim de repente diria o Chuck Norris, o homem e aquele seu roundhouse kick dão cabo de tudo. Mas duvido que ele aparecesse nessa luta porque tem medo de palhaços. Sim, é surpreendente e inesperado, mas o Chuck Norris tem medo de palhaços. Palhaços e mimos. Mas passando à frente. Entre Super-Homem e Ronnie apostava no palhaço porque, vamos lá ver, um palhaço tem sempre vantagem porque consegue pôr a rir o público. A não ser que esse palhaço se chame Krusty. Ou Carlos Queiroz. Nestes casos não rimos mas choramos. Mas o Ron consegue pôr qualquer um a rebolar à gargalhada com a sua imitação de um ataque cardíaco fatal após uma dentada num McTasty. Imitação essa baseada numa história verídica.

Imagine que uma rebelião de mulheres gordas o começa a perseguir, culpando-o do seu excessivo peso. Ao fugir delas, vai parar a um pasto com centenas de vacas que o reconhecem e ficam enfurecidas. Fica então rodeado: de um lado mulheres gordas, do outro vacas iradas. A pergunta é: o que acha que aconteceu realmente aos dinossauros? Acredita naquela teoria do meteorito ou tem outra sugestão?

Eu não gosto de fazer acusações levianas, mas você andou a fumar umas coisas mesmo poderosas! Isso ou pediu um McBacon numa das minhas lojas no Texas. Não que estes façam especial mal, atenção, o Bush ia lá todos os dias e como se pôde ver a cabeça dele estava perfeitamente bem, mas há pessoas que não se dão bem com o clima de lá e depois culpam o McBacon. Viu como eu consegui airosamente evitar a sua pergunta? Às vezes fico a pensar que deveria ter ido para José Sócrates em vez de hamburgeiro.

Xavi & Iniesta ou Bucha & Estica?

Batatinha e Companhia. Aquele enorme pico no cabelo conjugada com a inocência de enviar prémios por baixo da televisão bate qualquer boa dupla de futebolistas ou de humoristas físicos. Além disso gosto de palhaços, ao contrário do Chuck Norris.
17.7.10 | 1 comentários

Entrevista a Maomé

Written By Tiago Lacerda on sábado, 19 de junho de 2010 | 19.6.10


Um homem culto, dedicado, amante da vida, especial. Mas deixemos de descrever os autores deste blog. O nosso entrevistado chama-se Abu al-Qasim Muhammad ibn 'Abd Allah ibn 'Abd al-Muttalib ibn Hashim, Al para os amigos, Maomé para quem não quiser ir para o Inferno e em vez de virgens ter direito apenas a laranjas podres. Numa conversa intimista mas muito macha, Maomé falou sobre a sua pessoa, sobre as suas virtudes e falta de defeitos, sobre a vida e a morte, sobre brinquedos de infância e fritos. Leiamos então as magníficas perguntas que nós lhes fizemos e as respostas razoáveis que ele nos proporcionou. Texto por: Tiago Lacerda \ Sérgio Pereira. Fotos: Plágio através da Internet.



1. Quando morreu, o seu pai deixou de herança à sua mãe cinco camelos e uma escrava. Pode confirmar que sofre de traumas de infância por nunca ter tido um Action Man?
Vejo que a minha mãe andou a falar consigo! (risos) (Estou a ver que alguém já se esqueceu do que é ficar 3 semanas sem comer por se armar em esperta.) Mas respondendo à sua pergunta, não sofro qualquer tipo trauma de infância. Tive uma infância feliz, e é por isso aliás que o meu quarto está coberto de peluches e tenciono abrir um rancho parecido com o Neverland.

2. Durante o início da sua vida foi mercador. Quantas doses de haxixe ilegal vendeu?
Não vendi porque a ASAE andava sempre à coca. Houve alguém que me denunciou às autoridades por eu andar com práticas suspeitas. Não sei quem foi o desgraçado nem quero lançar aqui falsas suspeitas, mas acho que foi um super-cristão de Roma que usa uma boina ridícula na cabeça.

3. Aos 25 anos casou com uma viúva rica de 40. Fez isso por causa do filme português “Viúva rica solteira não fica” ou tem somente um grave complexo de Édipo?
Primeiro, visto que acho que ainda não foi inventado, não faço a mínima ideia do que seja algo “português”. Segundo, você fez essa pergunta do complexo de Édipo só para se armar em bom, não foi?

4. Como figura politica conseguiu unir várias tribos. Convenceu-as com as tais 72 virgens?
Não. Para unir as tribos bastou-me prometer-lhes 50 virgens, as outras 22 foi para que eles se explodissem por minha causa.

5. Segundo a lenda foi visitado pelo anjo Gabriel enquanto orava numa gruta. Não acha um bocadinho rude da parte do anjo aparecer sem avisar?
Um pouco, um pouco. Até porque na altura não orava somente, também estava a fazer o jantar e só tinha comida suficiente para mim. Quando o Gabi apareceu fiquei um pouco aflito “oh pá que o que é que eu te hei-de fazer?”. Descobri lá umas latas de atum e uns ovos cozidos escondidos atrás de uma pedra mas ele disse-me que tinha de se ir embora depressa e que os anjos não comem, o que me deixou mais descansado.

6. Foi durante muito tempo perseguido. Que tal foi para um muçulmano como você sentir-se como um judeu?
Foi bom, gosto muito de ser perseguido. Já ser apanhado e levar no lombo não gosto tanto. Acho que a humanidade precisa mais disso, de que haja mais tarados e perseguições, ajuda a manter a linha.

7. Chateia-o que toda a gente considere Cristo divino e a si não?
Chatear não chateia, mas apoquenta-me um pedaço. Eu compreendo que ele seja visto com respeito porque foi crucificado e tal, mas eu tive 15 mulheres! É preciso ter uma paciência divina para aturar 15 sogras, e acho que merecia um pouco mais de consideração por isso.

8. Um dos principais santuários de Meca na sua época era conhecido por Cubo. Confirma que o seu guardião era Jorge Gabriel e o que se fazia lá dentro era parvo?
Nem confirmo nem desminto. Eu posso achar que a minha religião é que está certa e criticar ou até insultar todas as outras, mas se há coisa que eu aprendi na minha vida é nunca me meter com o Jorge Gabriel.

9. O seu livro Alcorão foi batido em várias tabelas de livrarias pel’ O Código da Vinci. Que comentário lhe apraz fazer?
São os filhos da puta dos infiéis, mas eu já estou habituado a que sejam uns porcos sem consciência. No entanto, se me permite ser um pouquinho rude, tenho de discordar consigo. É verdade que nas livrarias ocidentais fui ultrapassado, mas ainda ontem o meu editor me ligou a dizer que as sagradas escrituras continuavam nos tops orientais, mesmo agora que já passaram tantos anos.

10. Sente-se irado pela Jihad islâmica não ter andado a transportar os ossos de uma filha sua, como por exemplo a Fátima, pelo Mundo inteiro enquanto chacinavam pessoas por onde passavam, para que mais tarde fosse criado um bestseller por um autor medíocre sobre essa história?
Irado não diria, mas chateadito sim. Quer dizer, qual é o pai que não quer que os ossos da sua filha sejam profanados vezes sem conta, e transportados de local em local sem sequer um postal à família? Eu até nem precisava da parte do chacinar pessoas por onde quer que passassem. Para mim, uma adoração doentia aos restos da minha filha já era o suficiente.

11. Onde prefere fazer as suas passagens de ano. Na Madeira onde há mais explosões, ou num país onde os homossexuais sejam condenados a prisão?
Gosto muito de as passar numa gruta situada nas montanhas entre o Paquistão e o Afeganistão. É um ambiente fenomenal, devia ir lá ver aquele espectáculo. Ele é rockets, ele é balas, um ambiente muito bacano mesmo.

12. Imagine que chegou ao céu. Setenta e duas virgens esperam por si. Por onde começa? Já tem um plano definido? E se alguma delas for ligeiramente parecida com Lili Caneças, o que faz?
Não, ainda não pensei muito nisso sinceramente. Acho que é daquelas situações que, em chegando lá, saberemos automaticamente o que fazer. Até porque, perante virgens que estão à nossa espera, não há muito que saber sobre o que fazer: beber uma piña colada e ler o Tal&Qual do dia 14 de Outubro de mil nove e noventa e sete. No caso de alguma delas se parecer com a Lili Caneças é óbvio que vou automaticamente fugir.

13. Se fosse para um ilha deserta e só pudesse levar três brinquedos sexuais, quais escolhia?
Levava uma boneca insuflável para fazer companhia, um penetrador anal para abrir os côcos (só para abrir os côcos mesmo) e um chicote para deixar os peixes e os ursos inconscientes. Se bem que com os ursos é mais complicado, uma chicotada mal dada e em vez de caírem para o lado ficam excitados, e ninguém gosta de ter um urso excitado a correr atrás de si.

14. José Mourinho ou Manuel José?
Mário Wilson.

15. Rissol ou empada de bacalhau?
Depende do rissol. Se for de camarão não gosto, se for de carne de porco como só para fazer pirraça aos judeus.
19.6.10 | 0 comentários

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