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Novos textos, o mesmo grau de insanidade

Written By Sérgio Pereira on sábado, 11 de dezembro de 2010 | 11.12.10

Mais um Sábado, mais novidades. Neste que é o sumo pontífice dos blogues podem encontrar-se mais duas notícias de fazer chorar as pedras da calçada. Chorar de tanto rir entenda-se. Chorar chorar mesmo só quando anunciarmos o fim dos calceteiros. Mas não são só notícias que aqui se podem encontrar. Novamente chegámos a acordo com os anacronistas, que fizeram o esforço de nos enviar as suas crónicas, num processo em tudo semelhante ao de Batatinha a enviar as prendas para os petizes. Como seres amistosos que somos, deixaremos aqui breves excertos do que podem ler na íntegra.

José de Neendertal

Ouvi dizer que aí em 2010 um país está a propor que um senhor que disponibilizou informação que não devia receba um prémio. Está boa. Nós aqui também temos um prémio para quem fala de mais, mas nem se chama Nobel nem a pessoa vive depois de o receber. Nós linchamos os bufos publicamente, vocês premeiam quem vos lincha publicamente. São opções. Mas sou australopiteco para preferir a minha.

Interessado na revolta do homem-macaco contra a religião? Clique aqui

Pe. Eucaristides Borga II

Esta semana está a correr às mil maravilhas. Ainda agora vim de fazer mais uma boa acção em que separei duas pessoas. Separar aqui é no sentido literal, atei um cavalo a cada um dos seus membros e a partir daí... é só dar largas à imaginação. Mas falando de desumanidades a sério, Cavaco Silva. Tal como um dos co-autores deste blog escreveu no final do mês passado, o economista parece sofrer de esquizofrenia, pois tem de estar sempre a dizer se fala enquanto Presidente da República, enquanto candidato à Presidência da República ou enquanto tijolo albino com vontade de jogar râguebi no Burundi. Mas se isto ainda é aceitável, o que fez agora deixa-me preocupado ao ponto de ter de ir várias vezes ao dia à igreja mais próxima rezar 20 terços (igual a 6,66666666666666666666666666666667*). Felizmente a igreja mais próxima é aquela em que vivo, senão estava tramado com o que tinha de andar (200 metros, que é onde está um mosteiro).

Descubra os motivos da indignação do presbítero clicando aqui

Machete Guerra

Se alguém me dissesse a mim, nos tempos da primeira grande guerra, que um futebolista poderia declarar guerra a algo que não a equipa adversária eu não acreditaria. Tudo bem, nós nesse tempo fizemos uma jogatana com os alemães onde eu por acaso marquei um tento de belo efeito (vírgula sobre o defesa esquerdo, bola nas costas dos centrais e um míssil na direcção da baliza. Depois de o guarda-redes sair a voar por ali a fora foi só chutar a bola devagarinho e inventar uma desculpa sobre o porquê de ter roubado equipamento à artilharia). Mas daí a julgar que um jogador de futebol se podia meter em artes bélicas, era uma ideia tão estranha como pensar que o Nelo Vingada podia vir a ser campeão nacional onde quer que fosse.


De que estará a falar este veterano louco? Descubra aqui

Rodolfo Kenobi

Durante este tempo todo a escrever para o Jazigo tinha sempre evitado a verdade. Ou melhor, ocultava, porque sou um ser D’Agostiniano decente que não gosta de estragar surpresas nem anunciar spoilers. Ninguém concerteza iria gostar se eu revelasse que no último livro da saga Harry Potter o Lord Voldemort mata o jovem feiticeiro e os seus melhores amigos, casa-se com a Minerva McGonagall e adopta o Hagrid como animal de estimação. Ou que aparecesse numa publicidade da televisão francesa antes do filme Ratatouille a dizer que o Pai Natal não existe. Não gostavam, pois não? E sabem que mais? Menti nas duas situações: Lord Voldemort casa-se sim com Dolores Umbridge, e já houve outra pessoa a anunciar que o Pai Natal não existe, exactamente antes do filme do rato cozinheiro. Mas a verdade que vos ocultei este tempo todo, e que agora já posso revelar, é outra: sou viciado em arsénio.

Leia o pedido de desculpas do sociólogo do futuro seguindo este link


E pronto, fica assim terminada a epopeia desta semana. Esperavamos vê-lo por aqui na próxima, ansioso por ler a nossa entrevista a uma personagem ilustre e falecida.

Um chi-coração,
A equipa do Jazigo


11.12.10 | 0 comentários

Preparar... apontar... fogo! Preparar... apontar... fo... que sensação de déjà vu foi esta?

E foi mais uma semana normal neste mundo sem definições temporais. Nada a destacar mesmo, tudo o que aconteceu enquadra-se nos parâmetros do corriqueiro. Pessoas nasceram, pessoas morreram, os EUA entraram em duas guerras... espera, hã? Os EUA entraram em duas guerras? Que história é essa? Ora deixa-me cá ler material... pam pam pam.... trrri ti tiri tiros... soldados mortos... pestes e tapetes de Arraiolos... já está, passemos então à notícia.
O passado dia 7 de Dezembro foi especialmente conturbado para os Estados Unidos da América. Durante a tarde, o presidente americano Thomas Wilson sentiu-se entediado, muito graças a ter passado três horas seguidas a jogar ao Burro com o vice-presidente Thomas Marshall. Isso e ter perdido os jogos todos. Após a 193ª derrota em 168 jogos, Wilson virou-se para Marshall e queixou-se da sua vida desinteressante, perguntando-lhe o que poderia ser feito para a animar. Marshall respondeu: “Bom, podemos jogar à Bisca”. Após demonstrar a Marshall que já estava farto de jogos de cartas (foi durante essa demonstração que se inventou o jogo 40 Apanha), o presidente Wilson lembrou-se subitamente de que havia uma guerra a decorrer na Europa:
- Há quanto tempo andam naquilo, Thomas?
- Desde mil nove e catorze, por isso há três anos. Porquê esse súbito interesse, Thomas?
- Porque estou a pensar entrar na guerra, Thomas. Sabes, Thomas, isso seria algo que me manteria entretido, mais do que jogar às cartas contigo ou ver-te a representar o Fantasma da Ópera só em ceroulas de vidro. Além do mais, Thomas, alguns dos países envolvidos na guerra devem-nos dinheiro, e seria chato eles perderem e depois não nos poderem pagar. A quem é que pediamos depois esse dinheiro, à China?
- Tu é que sabes, Thomas. Um pormenor à parte, não te começa a irritar que o jornalista que está a escrever esta notícia esteja constantemente a brincar com o facto de os nossos nomes serem iguais?
Cala-te, Thomas. Antes brincar com isso do que com as ceroulas de vidro. Ou queres que comece? Bom, continuando. Os EUA acabariam mesmo por, nesse mesmo dia, declarar guerra ao Império Austro-Húngaro. Espera-se com ânsia a chegada dos soldados americanos à Europa, algo que pode acontecer entre amanhã e daqui a três meses.
Porém o dia não acaba aqui. De manhã, ao mesmo tempo que Ben Affleck e Josh Hartnett jogavam Batalha Naval enquanto Kate Beckinsale os espiava gulosa, os japoneses atacaram Pearl Harbor. Os torpedos que caíram sobre as embarcações e os estaleiros ao largo do Hawai criaram as ondas perfeitas para Kelly Slater e Tiago “Saca” Pires discutirem o Mundial de Surf. Entre mortos, feridos e centenas de fãs femininas mostrando os seios a Slater, um homem destacava-se no meio da multidão: o seu nome era Paulo Portas, e gritando como um maluco dizia para quem o quisesse ouvir....... não ouvi o que ele disse porque era dos que não queria, mas deve ter sido algo do género “Se me tivessem comprado submarinos nada disto tinha acontecido. Ficavam endividados e viveriam sob a sombra do FMI, mas não vos tinham afundado os barcos.”. Foi necessário que Jon Voight... perdão, Franklin Roosevelt fizesse uma declaração ao país, algo que aconteceu de forma rápida, imediatamente após terminar um jogo de canasta com o seu vice Henry Wallace. Abalado e furioso por não lhe terem calhado jokers, Roosevelt pediu desculpa no seu discurso aos americanos. Desculpa não por causa do ataque a Pearl Harbor ter acontecido e ele não ter conseguido defender o país, mas sim por o seu nome do meio ser Delano. De resto, Frank apenas assegurou que será dada uma resposta séria aos japoneses, à Alemanha de Hitler e às empresas que fazem baralhos de cartas e metem lá “uma escassez de jokers que até mete dó”.
Concluindo, os EUA entraram no mesmo dia em duas guerras mundiais. Na Europa ocidental espera-se ansiosamente que os norte-americanos venham dar a volta ao rumo dos acontecimentos. Porém, para tal acontecer, é bom que se usem armas, bombas tanques, aviões, barcos e todo esse arsenal bélico. Se a guerra tiver de ser resolvida numa partida de Sueca... medo, até porque Hitler gosta de ter sempre cartas na manga e na sua pastor-alemão. Um cafuné à cadela e lá aparece um ás do nada para limpar aquela bisca seca. Ou então não deixam estar a cadela na sala, porque os pastores-alemães são cães para largar muito pêlo, que se agarra facilmente ao tapete de Arraiolos colocado por baixo da mesa de jogo.*
* Já estavam a pensar que a referência ao tapete de Arraiolos no início do texto era só para a parvoíce, não estavam? Há toda uma lógica, por isso é que eu é que sou o jornalista.
11.12.10 | 0 comentários

"Beer... Now there's a temporary solution."


Hic! Acabou! Hic! Foram estas as palavras mais ouvidas da boca da populaça quando se soube que a Lei Seca tinha chegado ao fim. Por fim, a lei que proibia as pessoas de consumirem ou produzirem qualquer bebida alcoólica cai após treze anos. E porque que é que caiu? Bem, digamos que para começar ninguém gosta de viver num mundo onde a pessoa com o ar mais ébrio se parece com o Ramalho Eanes. Depois há ainda aquela pequena questão da máfia.

É que enquanto os senhores do Congresso dos E.U.A. estavam ocupados a dizer “Se conduzir não beba, se tomar medicamentos não beba, se... Esperem lá... NÃO PODEM BEBER! Acabou a conversa”, houve senhores que se dedicaram ao contrabando de bebidas alcoólicas. E nem estou a falar de vinho do Porto ou uisques de elavado grau de prestigio. Não, estes meninos traficavam vinho de pacote do Lidl e mesmo assim conseguiam ter lucro suficiente para dar de comer às prostitutas que tinham! Isto quando se tem olho para o negócio e para escolher emigrantes mexicanas ilegais de belos quadris é outra coisa!

Ora passados apenas treze anos o Congresso decidiu tomar medidas para evitar que este submundo do crime baseado em imitações rascas de Ramos Pinto continuasse a florescer. Só que os mafiosos são mais espertos. Nestes anos expandiram os seus negócios e o contrabando de álcool é só uma pequena parte das moscambilhas levadas a cabo por estes senhores. Por exemplo, estão a planear ter uma trilogia de filmes sobre eles para daí receberem dinheiro. Estão a planear fazer um outsourcing para a Itália, e ouvi mesmo um deles a dizer “Naaa, isso é tudo fraquinho. Eu vou é ser presidente de um clube chamado Boavista!”.

O leitor mais estupido pode-se perguntar como eu sei tudo isto. Digamos que se o leitor continuar a fazer perguntas dessas eu vou-lhe fazer uma proposta envolvendo os seus pés e cimento que você não pode recusar... A não ser que verifique que na IKEA o material para construir o seu próprio passeio da fama fique mais barato. Aí, pronto, recusa, e eu “tudo bem que não ando cá para estragar a vida a ninguém!”

A sua filha tem seis anos, não é? E a escola dela é ao pé de uma estrada movimentada se não me engano? É perigoso... com tantos carros a passar..... seria horrível que houvesse um terrível acidente e ela morresse......... de alegria ao ver um enorme caminhão de brinquedos tombado no meio da estrada com montes de barbies e vibradores por todo o lado!!!

O quê?! A sua filha de apenas seis anos não utiliza vibradores? Não se preocupe que com o devido treino nós pômo-la a render.* “Nós” que é como quem diz, os mafiosos/chulos, se a apanharem, que eu não ando metido nesse mundo do crime.
Bem, considere-se informado. A Lei Seca acabou. Agora com licença mas tenho de ir despejar este corpo ao rio.. quer dizer... tenho de ir deitar estes restos de carne aos cães... Quer dizer...Ah, esqueçam!

*O autor deste texto sentiu-se um monstro ao escrever esta frase. Tudo bem, não é real, mas ainda assim por uma menina de seis anos numa piada de prostituição é horrível. Ao menos podia ter esperado que ela fizesse sete.
11.12.10 | 0 comentários

Este post é para os 11% de preguiçosos portugueses que gostam de aparecer nas estatísticas

Written By Sérgio Pereira on sábado, 4 de dezembro de 2010 | 4.12.10

Hoje, o primeiro Sábado do mês de Dezembro, é dia de Classificados. Por isso, se quiserem ver os nossos Classificados é só carregar no link acima onde diz Classificados para poder entrar na página dos Classificados. Ah, já disse que para ver os Classificados basta igualmente carregar em qualquer uma das cinco palavras deste texto que diz Classificados? Agora passou a seis. Vá lá, não custa nada, carregue lá em Classificados, afinal de contas você já perdeu cerca de dois minutos da sua vida a ler este post quando devia estar era a ver os Classificados à procura de emprego.

Um abraço,
A equipa dos Classificados do Jazigo
4.12.10 | 0 comentários

Miguel Ângelo faz parceria com “amigo” que é quiroprata e põe muita gente a olhar para o tecto

Que beleza descomunal! A perfeição geométrica das formas! O requinte do toque clássico por toda a obra! A estética de um trabalho que parece superiormente acabado mas que tem algumas pontas soltas para o observador dar largas à imaginação! Bom, é tempo de escrever uma notícia, chega de ver o desfile da Victoria’s Secret.
Esgotado, feliz e com pressa de ir à casa-de-banho. Foi desta forma que Miguel Ângelo desceu do andaime colocado no Palácio Apostólico, a residência oficial do Papão... Papa, queria dizer Papa. Peço desculpa pelo engano, não estava a querer insinuar de forma alguma que os padres gostam de papar ou ser papados por menores de idade. Longe disso, a minha cabeça não entra nessas ideias mesquinhas. Por falar em cabeças a entrar em sítios, voltemos ao Papão... peço desculpa novamente, voltemos ao início.
Esgotado, feliz e com os collants urinados. Foi desta que Miguel Ângelo (que com isto tudo nem tempo teve de chegar à casa-de-banho a tempo) desceu do andaime colocado no Palácio Apostólico, mais concretamente na Capela Sistina. Foi aí que o artista italiano usou dos seus dotes renascentistas para pintar o tecto da capela. A obra, que durou quatro anos (1408-1412), tem sido alvo de contestação. “Tanto tempo? O Miguel utilizou trabalhadores portugueses ou quê?”, disse ao Jazigo uma velha coscuvilheira como tantas outras. Mas ela estava enganada. Miguel Ângelo não utilizou a ajuda de ninguém. Os 1,100 m2 do tecto foram pintados exclusivamente por ele. “Então porquê tanta demora?”, perguntou-me a anciã bisbilhoteira, e a resposta é simples mas complicada. Paradoxo? Sim, foi o que Ângelo fez naquele tecto. Tendo em conta que se tratava de um local como o Vaticano, onde conseguimos encontrar mais cristãos do que encontramos agentes da polícia nas favelas do Rio de Janeiro, foi um pequeno lapso por parte do pintor e escultor italiano ter começado por pintar dezenas de arco-íris e centenas de homens seminus a comerem manga dos corpos uns dos outros. Quando em 1409, um ano após ter iniciado a obra, Miguel chegou ao pé do Papa e lhe disse todo contente “Já está!”, a admiração foi total. “Já está? Então e o <>? Então e o meu beijinho?”, perguntou o Papa Júlio II. Mais tarde, quando viram o resultado, os membros do clero do Vaticano disseram ao pintor “Huuummm, falta-lhe qualquer coisa, tipo figuras religiosas. Vê lá se tratas disso depressa.”. Zangado por tal tratamento (afinal de contas o pedido dos membros do clero não incluiu um “se faz favor” ou um acto de sexo oral que são sempre bem vindos para o artista en questão), Ângelo acabou por demorar três anos a concluir a pintura.
No último dia 2 de Dezembro foi finalmente possível mostrar ao público o trabalho de Miguel Ângelo. Muitas pessoas estavam embasbacadas, principalmente porque o pintor decidiu tirar os collants urinados que já se lhe estavam a colar à pele. Quanto ao tecto da capela, a opinião foi unânime: “está giro, mas ficava melhor se contasse o final”.
Entrevistado pelo Jazigo com uma distância de segurança pelo meio, um Miguel Ângelo sem qualquer roupa nos membros inferiores declarou: “Pois, parece que daqui a uns anos tenho de cá voltar para pintar mais qualquer coisita. Diz que a populaça quer saber como acaba a história da Bíblia, por isso lá vou eu ter de subir novamente ao andaime e pintar o dia do Julgamento Final, se bem que não sei muito bem ainda como o fazer. Quer dizer, como pintar o final de um julgamento em que a sentença é prisão efectiva e depois os condenados andam aí a passear-se livremente pelas televisões? Lá está, é complicado.”. Enquanto Miguel Ângelo volta e não às pinturas, os seus planos seguem caminhos bem diferentes do que aqueles aos que já nos habituou: “Bem, agora as minhas intenções são entrar numa série juvenil onde faça de tartaruga que saiba artes marciais, bem como gravar uns quantos álbuns medíocres com uma banda chamada Golfinhos e depois acabarmos para os media nos darem uma atenção exacerbada”.
Após a entrevista, Miguel Ângelo e o Papa desapareceram rapidamente juntos para dentro de uma sala fechada à chave. Poucos minutos depois, foi a vez do Coro de Santo Amaro de Oeiras entrar na mesma sala. Lá dentro ouviram-se gritos, que pensa-se dizerem respeito à musica Gloria in Excelsis Deo. Ou isso ou o I Got You Babe de Sonny & Cher. A melodia é parecida.
4.12.10 | 0 comentários

Conan Doyle lança livro?????

Quando cheguei ao local do suposto lançamento literário encontrei o espaço deserto. Numa loja decrépita em Londres, onde a madeira rangia a cada passo e o ar cheirava mais a mofo que o penteado de Ana Jorge. O espaço que deveria ser o local da festa do lançamento do novo livro de Conan Doyle estava deserto. Por todo o lado, garrafas partidas enchiam o chão com as suas miudezas afiadas. “Estranho…” – pensei - “que se passou aqui? Isto é tudo muito misterioso!”. Quando este pensamento fugaz me atravessou a mente mais rápido que o Speedy Gonzalez a fugir de polícias do estado do Arizona, percebi tudo. Arthur Conan Doyle tinha transformado o lançamento do seu primeiro livro sobre Sherlock Homes, ele mesmo, num mistério que os jornalistas teriam de resolver se queriam ter o privilégio de entrevistá-lo. Fiquei estupefacto com o brilhante golpe de marketing organizado por Sir Conan (só lhe faltava um dirigível aéreo), e durante dois minutos nada fiz. Depois, com uma convicção e um querer que tenho a certeza me brilhava nos olhos para quem quisesse ver, disse em voz alta “Ai ele é isto? É? Vais ver se não resolvo este imbróglio misterioso e até suspeito num instante!”. Dito isto peguei no telemóvel e telefonei a Felícia Cabrita.

Não me atendeu. Deve andar entretida lá com as investigações de cáracacá dela. Mesmo assim deixei mensagem, que ainda podia vir a dar jeito, mais não seja porque ela faz um polvo à lá lagareiro maravilhoso e ao tempo que andamos a tentar combinar uma jantarada com o Mário Crespo. “Ora se a Felícia não me responde… já sei!”. Peguei novamente no telemóvel e liguei a Lisbeth Salander. Atendeu-me com um monossílabo como é característico nela. As pessoas criticam-na por falar pouco mas, sinceramente, eu não tenho razão de queixa. Das personagens fictícias a quem eu ligo para receber informações ela é a única que fala comigo. Fala pouco, é verdade, mas sempre é mais útil que aquele mete nojo do Coronel Buendia. Enfim, depois de explicar a situação à Lizzie ela em três minutos disse-me tudo o que sabia a respeito de Athur Conan Doyle. E se ela sabia coisas… Depois foi só uma questão de gritar alto “Arthur ou acabas com esta palhaçada e falas comigo sobre o lançamento do teu livro, ou amanhã vem escarrapachado nos jornais que tu andas a dormir com um médico com tendências sado-maso, e que no inicio não gostaste da escolha do Robert Downey Jr para o papel de Sherlock Homes!”. Assim que estas palavras me saíram dos lábios, Athur Conan Doyle saiu do seu esconderijo e dirigiu-se a mim. “Eras mesmo capaz de revelar isso?” perguntou-me a suar em bica e cheio de medo. “Claro que era. E mais, se não andas na linha sou rapaz para, além de revelar a história do médico, contar as tuas aventuras com as prostitutas transexuais tailandesas!”. Para minha surpresa não era a revelação dos pormenores sórdidos da sua vida sexual que preocupava Doyle (“para isso já há o The Sun, não precisavas de me ameaçar”). Tinha era medo da reacção de Downey Jr. “Imagina que ele ouve e veste o fato! Vem aí e dá-me uma carga de porrada das antigas! Se até o Mickey Rourke que anda no Wrestling apanhou no focinho imagina eu!”.

Só depois de garantir que nada do que em cima está publicado veria a luz do dia é que Conan Doyle se acalmou (tão Mikael Blomkvist da minha parte!). Falou-me depois longamente sobre o seu livro. Não fiquei especialmente impressionado. Um detective com um cachimbo que resolve casos? Huuuum… Não me convence. Se ao menos o detective fosse um gato que fuma cachimbo e resolve casos, talvez. Assim não me parece.

À medida que deixava a loja para trás ia dançando freneticamente pelas ruas ao som de “Can Touch This”. De repente oiço a música “Cantor de Sonhos” do Tony Carreira, sinal de que alguém me estava a ligar para o telemóvel. Era a Felícia. Já temos jantarada combinada.
4.12.10 | 0 comentários

O outro projecto destes dois dementes

O Jazigo das Notícias

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